TRAGÉDIA EM MINAS

Lula visita Minas Gerais e anuncia casas para vítimas das chuvas

Por Bruna Fantti | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Ricardo Stuckert/PR
Lula visita ao centro de acolhimento provisório de desabrigados
Lula visita ao centro de acolhimento provisório de desabrigados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais, neste sábado (28), e anunciou medidas emergenciais e de reconstrução para os municípios da zona da mata, tomando como referência o modelo adotado no Rio Grande do Sul. Até o momento, 70 pessoas morreram em decorrência dos temporais, sendo 64 em Juiz de Fora e seis em Ubá.

Na área de habitação, Lula prometeu a entrega gratuita de casas para as famílias que perderam suas moradias.

"Aprendemos muito com o desastre que houve no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez na história deste país, o governo federal assumiu a responsabilidade de fazer, junto com o governador, junto com o prefeito, a recuperação daquele estado e daquela cidade", disse Lula.

"A única coisa que a gente não vai poder devolver para a cidade são as vidas que se foram. As vidas humanas, a gente não tem o poder de fazê-las voltarem a viver. Mas as coisas materiais que as pessoas perderam, nós vamos dar à pessoa o direito de voltar a viver com decência", acrescentou.

Entre as soluções apresentadas está o sistema de "compra assistida", que permite ao cidadão escolher um imóvel já pronto em qualquer cidade de Minas Gerais, com pagamento realizado diretamente pelo governo, de até R$ 200 mil. Também será acionado o programa Minha Casa Minha Vida Rural Calamidades, voltado às populações do campo afetadas por desastres.

No campo do apoio financeiro e social, foi autorizada a antecipação de benefícios como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada. Trabalhadores das áreas atingidas poderão realizar o saque calamidade do FGTS, enquanto pequenos empresários terão acesso a crédito para recuperação dos negócios.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo enviou novas ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a região, além da instalação de uma carreta equipada para exames especializados, como tomografia e ultrassonografia. Carretas de atenção primária serão destinadas a substituir temporariamente Unidades Básicas de Saúde destruídas, juntamente com o envio de toneladas de medicamentos e insumos hospitalares.

"A Força Nacional do SUS já envi ou duas toneladas e meia de medicamentos e insumos, que são kits padronizados, que têm pelo menos 32 medicamentos, entre antibióticos, medicamentos para hipertensão, para diabetes, doenças crônicas, medicamentos para enfrentar aquelas doenças mais comuns que acontecem na situação como essa, como a diarreia, como o risco da leptospirose, e mais de 16 insumos de utilização para os hospitais. Esses kits são padronizados. Cada um deles dá conta, quando a gente soma todos eles, de fazer 15 mil tratamentos para cuidar dessa população", afirmou Padilha.

Lula também determinou a criação de um escritório de resposta do governo federal dentro de uma sala da Prefeitura de Juiz de Fora. A proposta é estabelecer contato direto entre os municípios afetados, os ministérios e a Caixa Econômica Federal.

O presidente desembarcou no início do dia em Ubá e disse que "o centro da cidade está destruído". No local, 14 pontes da zona urbana foram destruídas, além de 31 na zona rural.

Em relação a Juiz de Fora, Lula demonstrou preocupação com o que classificou de "casas de rico", que teriam piscinas construídas em encostas.

"Vi de helicóptero muita casa de rico em cima do morro. Não sei qual é a segurança que tem, mas significa que aqui tem um problema sério de terreno e de área garantida para construção. Eu vi lá muita casa com piscina, que se um dia tiver um desastre e cair uma casa daquela, a piscina vai jogar tanta água quanto a chuva e vai aumentar o deslizamento", afirmou.

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