Tarcísio exonera aliados de Derrite e deve mudar polícias de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciou nesta terça-feira (3) um processo de exoneração de um grupo de pessoas ligadas ao ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite. Só na pasta da Segurança devem ser exonerados ao menos 14 aliados do deputado federal.
Leia mais: SP fecha 2025 com maior nº de feminicídios da história no estado
Os comandos da Polícia Civil e da Polícia Militar também devem sofrer alterações. Uma das prováveis saídas é a do delegado-geral Artur José Dian, que tem manifestado a amigos a intenção de concorrer a cargo eletivo. Há chances de ser retirado do posto antes do prazo obrigatório para o afastamento.
Na PM, devem ser exonerados o corregedor-geral, o coronel Fabio Sérgio do Amaral, e o chefe do Centro de Inteligência, coronel Pedro Luís de Souza Lopes, ambos tidos como ligados ao ex-secretário da Segurança. A reportagem apurou que o comando da PM já teria recebido a ordem para os desligamentos.
O expurgo dos aliados de Derrite, segundo integrantes da Segurança ouvidos pela reportagem, teria sido uma encomenda feita por Tarcísio ao coronel Henguel Ricardo Pereira, então secretário-Chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil, que assumiu a secretaria-executiva da Segurança nesta segunda (2).
O oficial deixou um cargo de maior relevância e prestígio no governo estadual para atender esse pedido pessoal de Tarcísio, irritado com o ex-secretário. O motivo seriam declarações feitas por dirigentes do partido dele, o PP, sobre a corrida ao Senado e ao próprio Governo de São Paulo neste ano.
Henguel foi escolhido por muitos fatores, entre eles o trabalho na Defesa Civil, mas também pesou o fato de ser inimigo declarado de Derrite. Segundo oficiais ouvidos pela reportagem, os dois deixaram de conversar após desentendimentos provocados por tentativas de interferência na Casa Militar.
Um dos responsáveis por agravar os atritos entre as pastas seria o então ex-secretário-executivo, Paulo Maculevicius Ferreira, sucedido agora por Henguel.
No Diário Oficial desta terça-feira, alguns desligamentos já foram confirmados. Entre eles do ex-comandante-geral da PM, coronel Cássio Araújo de Freitas, atualmente um oficial na reserva, que vinha ocupando o cargo de chefe de gabinete da secretaria.
Na lista também dos aliados de Derrite a serem exonerados está a assessora Luana Humer Eid, que o deputado federal transferiu de Brasília quando assumiu a pasta e colocou no comando da comunicação da pasta. O deputado voltou para a Câmara, mas ela permaneceu na gestão Nico Gonçalves.
A expectativa é que o único aliado do deputado do PP a permanecer no cargo seja o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle.
Sobre a mudança do delegado-geral, três nomes estão sendo cotados: os delegados Júlio Gustavo Vieira Guebert, Emygdio Machado Neto e Ivalda Aleixo, a chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
A saída no comandante-geral da PM, José Augusto Coutinho, não é da como certa. Cresce, porém, o nome do coronel Carlos Henrique Lucena Folha, coordenador Operacional da PM. Henguel e Lucena teriam entrado juntos na escola preparatória de oficiais do Barro Branco, em 1989, e são próximos.
A gestão Tarcísio de Freitas também exonerou a diretora da Academia de Polícia Márcia Heloísa Mendonça Ruiz, após a crise provocada com a nomeação de delegada supostamente ligada ao PCC. A nova diretora, Fernanda Herbella, assumiu a função na última sexta-feira (30).
A reportagem procurou a Secretaria da Segurança na noite desta terça para falar das mudanças de aliados de Derrite, mas não houve resposta até a publicação.
Sobre a Academia, a pasta respondeu que "Todas as movimentações e promoções na gestão das forças de segurança de São Paulo seguem critérios estritamente técnicos e visam aprimorar a atuação policial no Estado, com foco no combate ao crime organizado e na proteção das pessoas."