Parlamentares da União Europeia decidiram nesta quarta-feira (21) suspender a ratificação do acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul e enviar o texto à Corte de Justiça da UE, diante de questionamentos sobre a legalidade do tratado.
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A votação foi feita em Estrasburgo, na França, e aprovada por margem estreita: 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções. Com a decisão, o Parlamento Europeu não poderá analisar a ratificação do acordo até que a Corte se manifeste, processo que pode levar meses.
O acordo UE-Mercosul foi assinado no último sábado (17), após 25 anos de negociações, com o objetivo de ampliar o comércio em um cenário global marcado por protecionismo. O tratado prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas sobre produtos como carne bovina argentina e automóveis europeus, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com impacto potencial sobre mais de 700 milhões de consumidores.
A suspensão foi comemorada pela França, que pressiona por maiores garantias aos agricultores europeus. Já a Comissão Europeia afirmou “lamentar profundamente” a decisão do Parlamento. Apesar do impasse, o braço executivo da UE pode aplicar o acordo provisoriamente enquanto aguarda a análise judicial.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou a decisão como “lamentável” e defendeu a aplicação imediata do tratado. A ratificação, por outro lado, é considerada praticamente certa nos países sul-americanos. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai; a Bolívia ainda não integra o acordo, e a Venezuela está suspensa do bloco.
*Com informações da AP