POUCA ÁGUA

Cantareira segue na 2ª pior faixa de volume e restrição continua

Por Lucas Lacerda | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Sabesp
Desde o início de dezembro, o sistema fica em torno dos 20% de volume, sem mostrar tendência de recuperação.
Desde o início de dezembro, o sistema fica em torno dos 20% de volume, sem mostrar tendência de recuperação.

Principal fonte de água da cidade de São Paulo e da região metropolitana, o reservatório Cantareira continua sem mostrar sinais de recuperação e segue com 20% de volume reservado, segundo dados da Sabesp desta quarta-feira (7).

Com isso, as restrições em vigor continuam até o fim de janeiro, segundo a SP Águas, agência do Governo de São Paulo que faz a gestão do Cantareira junto com a Ana (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). O volume de 20% é o limite da faixa 4, a última antes do chamado regime especial, o pior nas regras de operação. É permitida a retirada de 23 mil litros de água por segundo, com a ajuda da água transposta da bacia do Rio Paraíba do Sul.

Abaixo disso entra em cena o regime especial, que limita a retirada do cantareira a 15,5 mil litros por segundo, além da água do Paraíba do Sul.

Desde o início de dezembro, o sistema fica em torno dos 20% de volume, sem mostrar tendência de recuperação. A previsão para o período chuvoso também não é animadora. Segundo nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) divulgada em 30 de dezembro passado, a reservação no cantareira no trimestre de outubro a dezembro, em 22,8%, estava pior do que os 34% de 2013, período anterior ao do ano da crise hídrica da década passada.

Ao longo de janeiro, segundo o documento, a previsão é de chuvas na média e abaixo da média histórica no Sudeste. A previsão para o Cantareira mostra que chuvas em patamar de 25% acima da média histórica ?um cenário otimista? levariam a um volume projetado de 60%, no limite entre a faixa de atenção e a normal. Isso indica, afirma a nota técnica, que a situação de escassez deve permanecer crítica.

Desde o final de setembro, o Cantareira opera com volume útil abaixo de 30%, chegando a cair para a casa dos 19% na primeira quinzena de dezembro. Desde a crise hídrica de 2014 a 2016, o sistema não registrava índices tão baixos. A chuva de 134 milímetros em dezembro ficou abaixo dos 177 milímetros registrados no mês na capital paulista, cujo índice ficou 3,7% inferior à média histórica do mês.

Fiaxas de operação do Cantareira 

Com outros seis reservatórios, o Cantareira forma o Sistema Integrado Metropolitano, que registrava, com dados desta quarta-feira, 26,9% de volume equivalente. Isso mantém toda a região metropolitana de São Paulo, entre outras medidas, sob a redução de pressão noturna por dez horas e a intensificação da comunicação de medidas de economia para a população.

Para tentar afastar uma situação pior, embora tenham aumentado as queixas de bairros sem água, o governo tem anunciado a antecipação de obras para aumentar a oferta de água. Uma delas foi a captação de água no rio Itapanhaú, na Serra do Mar, que adiciona 2.500 litros de água por segundo ao sistema Alto Tietê (17% de incremento) por meio de oito bombas.

Também estão em andamento obras como a expansão da Estação de Tratamento de Água Rio Grande, com 400 litros por segundo, e a interligação Billings-Taiaçupeba, com conclusão prevista para 2027 ?que deve ser antecipada? e um acréscimo de 4.000 litros por segundo de água, a um custo de R$ 530 milhões.

Além do aumento da oferta, a Sabesp estuda a recarga de mananciais com a água que resultado tratamento de esgoto, que será tratada antes de ser devolvida à natureza.

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