Litoral de SP enfrenta falta d'água, e Sabesp culpa alto consumo
Moradores e turistas de pelo menos cinco cidades no litoral paulista enfrentam desde a semana passada interrupções parciais ou totais no abastecimento de água. Em alguns locais o problema começou há poucos dias; em outros, segundo relatos, perdura desde o Natal.
Concessionária dos municípios afetados, a Sabesp afirmou que atende as cidades sem intermitências, mas que em alguns pontos há "relatos de baixa pressão e interrupções pontuais devido à necessidade de ajustes operacionais constantes em função de alta de consumo e chuvas que impactam na qualidade dos mananciais".
A companhia declarou também que "o consumo permanece bastante elevado, impulsionado por um cenário atípico de temperaturas elevadas, com aumento de demanda típico da temporada, intensificado pelo turismo".
Uma das cidades mais impactadas é Ilhabela, no litoral norte, o que levou o prefeito Toninho Colucci (PL) a ameaçar multar a concessionária de saneamento em publicação nas redes sociais.
"A região norte da cidade está sofrendo sem um abastecimento digno. A gente vai dar um basta", declarou o mandatário em 1º de janeiro.
Moradora do município há décadas, a empresária Marjory Milene de Moraes, 50, chegou a ficar cinco dias sem água, problema que se intensificou em 27 de dezembro.
Ela é proprietária de um chalé que aluga durante a alta temporada e quase perdeu os hóspedes, que só decidiram ficar quando perceberam que o problema não se restringia ao imóvel onde estavam.
O abastecimento em sua residência e em boa parte do município já voltou, mas regiões mais altas da cidade, para onde a água precisa ser bombeada, ainda sofrem --segundo a Sabesp, a previsão é de retorno gradual dentro dos próximos dois dias.
"Essa crise não foi uma surpresa, toda temporada passamos pelo mesmo", diz o também morador de Ilhabela Gabriel Derderian.
"Dentro de casa, a descarga só funcionava com balde de água da chuva, e isso apenas depois das chuvas, porque antes disso não havia nem essa alternativa", afirma. "É uma experiência constrangedora que ninguém deveria viver."
Não é diferente em São Sebastião, onde a vereadora Henriana Lacerda (Republicanos) chamou de "inaceitável" o problema da falta d'água. "Eu recebi inúmeras reclamações sobre o problema em vários bairros", disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo a Sabesp, a situação neste caso "decorre de um cenário atípico de temperaturas elevadas e do expressivo aumento do consumo, fatores que causam oscilações no fornecimento de água e exigem ajustes operacionais no sistema".
A companhia declarou ainda que todos os municípios afetados contam com caminhões-pipa. "A Sabesp tem 18 caminhões-tanque com reservatórios em média de 10 mil litros, chegando a 20 mil litros, que estão sendo direcionados para esses pontos críticos."
Em Ubatuba, a moradora Jeise Viana de Souza, 38, diz que na casa dela, no bairro Taquaral, o abastecimento não chega desde terça-feira (30). "Como resistir quatro dias sem água para higiene pessoal, roupas, casa e alimentação?", critica.
Na mesma cidade, uma moradora do Ipiranguinha que pediu para não ser identificada relatou interrupções no abastecimento desde a virada do ano. Em sua casa, a solução tem sido armazenar em baldes água da chuva ou do pouco que chega -e quando chega- das torneiras.
A Sabesp afirma que o abastecimento em Ubatuba está regular, "com eventuais oscilações pontuais em função do pico de consumo e ajustes no sistema".
A falta de água atinge também bairros da cidade de Caraguatatua, onde o abastecimento, segundo a companhia, deve ser normalizado até domingo (4).
Situação semelhante ocorre em Praia Grande, no litoral sul, para onde o músico Clebert Juliano Pereira e Souza, 45, se dirigiu para passar o final de ano.
Na residência onde ficou, no bairro Jardim Solemar, a pressão com a qual a água saía das torneiras já era baixa durante o dia e, à noite, entre as 18h e 20h, o abastecimento era interrompido por completo.
O problema começou na semana do Natal, disse à reportagem, quando o fluxo de turistas em direção ao começou a se intensificar, e permanecia até a manhã deste sábado -quando retornou à cidade onde mora, em Registro (SP).