APÓS CONFLITO NO RIO

Governo Lula ainda tenta afastar ideia de que 'fecha com o crime'

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Planalto tenta evitar a imagem de conivência com facções.
Planalto tenta evitar a imagem de conivência com facções.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem intensificando medidas e discursos para mostrar firmeza no combate ao crime organizado, depois da megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultoou em mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão.

Leia mais: Ministra de Lula promete perícia paralela a famílias de mortos

A pressão política cresceu após críticas do governador Cláudio Castro (PL), que disse que o Rio está “sozinho” na luta contra o crime. Em meio à crise, o Planalto tenta evitar a imagem de conivência com facções e acelerar respostas na área de segurança pública.

Medidas adotadas pelo governo

Comitiva enviada ao Rio: Lula despachou os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para acompanhar as investigações.

  • Escritório emergencial: Lewandowski e Castro anunciaram a criação de um canal direto entre o governo federal e o estado do Rio, para melhorar a comunicação e a resposta em crises.

  • Refreforço técnico: A Polícia Federal enviará 20 peritos para ajudar nas apurações sobre a operação.

  • Nova lei de combate ao crime organizado

    Na quinta-feira (30), Lula sancionou a Lei nº 15.245/2025, publicada oficialmente no Diário Oficial da União. O texto endurece penas e cria novos crimes para quem tentar impedir ou retaliar ações contra organizações criminosas.

    Principais pontos:

    • Novos crimes: foram criados os delitos de “obstrução de ações contra o crime organizado” e “conspiração para obstrução de ações contra o crime organizado”, com pena de quatro a doze anos de prisão, além de multa.

  • Alteração do Código Penal: quem contratar ou solicitar crime a integrante de associação criminosa também poderá ser punido com até três anos de prisão, mais a pena pelo delito solicitado, caso seja posto em prática.

  • Proteção ampliada: juízes, promotores, policiais, militares e seus familiares, inclusive aposentados, passam a ter direito a medidas de proteção pessoal quando estiverem sob risco por atuar contra o crime.

  • Regra especial para presos: condenados por crimes de obstrução devem iniciar a pena em presídios federais de segurança máxima.

  • PEC da Segurança Pública

    Além da nova lei, o governo tenta acelerar no Congresso a PEC da Segurança Pública, que:

    • Centraliza as diretrizes de combate ao crime na União e no Conselho Nacional de Segurança Pública;

    • Dá status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp);

  • Cria critérios para que estados e municípios acessem recursos dos fundos nacionais de segurança e penitenciário;

  • Amplia poderes das guardas municipais e transforma a PRF em Polícia Viária Federal (PVF), com atuação também em ferrovias e hidrovias.

  • A PEC, relatada por Mendonça Filho (União Brasil-PE), foi aprovada na CCJ em julho e deve ir à comissão especial em dezembro.

    Projeto “Antifacção”

    O Ministério da Justiça também enviou à Casa Civil o projeto de lei que amplia penas de crimes ligados a facções.

    • A punição para integrantes de organizações criminosas sobe de três a oito para cinco a dez anos.

    • Em homicídios cometidos sob ordem de facções, a pena pode chegar a 30 anos.

  • O texto transforma o crime de facção qualificada em hediondo e aumenta as penas em até o dobro em casos com participação de servidores públicos ou uso de menores.

  • O projeto ainda prevê a criação de empresas de fachada para infiltração e coleta de provas contra facções.