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'Mãe maravilhosa': quem era mulher morta por falsos entregadores

Por Luana Takahashi | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
Ingrid Emanuelle Santos tinha 37 anos
Ingrid Emanuelle Santos tinha 37 anos

Empresária foi encontrada morta dentro de casa, em Governador Valadares (MG), com sinais de violência. De acordo com a Polícia Militar, dois homens teriam fingido ser entregadores para entrar na residência. O crime ocorreu na quarta-feira, e os homens suspeitos do assassinato foram presos nesta sexta-feira (12).

Quem era a vítima

Ingrid Emanuelle Santos, 37, tinha uma loja virtual de semijoias. Ela costumava divulgar seus produtos em publicações nas redes sociais. Antes de começar a empreender, a mulher trabalhava para uma agência de regularização de cidadania de imigrantes portugueses que vinham para o Brasil.

Ingrid deixa uma filha de 3 anos, que estava na creche no momento do crime. "Eram só as duas, muito grudadas. Nessas duas primeiras noites, todos os dias, ela chorou querendo a mãe, chamando por ela o tempo todo", contou uma das irmãs da vítima que preferiu não ser identificada. A família descreve Ingrid como uma "mãe maravilhosa", que "vivia para a menina".

Ingrid estava separada do ex-companheiro, pai da filha dela, desde janeiro. A irmã de Ingrid relata que a relação era turbulenta e marcada por "idas e vindas", até que a mulher decidiu encerrar definitivamente a relação com o marido no início do ano.

Ela "vivia a fase mais feliz" da vida depois da separação. Ainda segundo a irmã, ela era conhecida por ser muito "simpática, alegre, divertida e descontraída". "Meu filho até costumava falar que ela não crescia, era muito brincalhona", diz.

O que aconteceu

Ingrid foi encontrada morta após ter sido amarrada e degolada. O caso ocorreu por volta das 15h da última quarta-feira no bairro Parque Olímpico.

Dois criminosos teriam fingido fazer uma entrega e entraram em sua casa. Segundo a Polícia Militar, eles chegaram juntos em uma moto usando capacete e bolsa de entregador, atacaram a vítima e fugiram logo em seguida.

Família estranhou que Ingrid não respondia às mensagens e ligações. "Então decidi ir lá na casa dela. Chegando lá, o carro dela estava na porta e a casa toda escura, eu fiquei muito assustada. Aí olhei por baixo do portão e vi que ela estava caída", contou a irmã.

A PM foi acionada e iniciou as buscas pelos suspeitos. A motocicleta usada para o crime foi encontrada próxima ao local onde os suspeitos estavam hospedados na cidade, já que um deles é de Tocantins e o outro do Pará.

Ambos foram presos dentro de um ônibus tentando fugir. Na madrugada desta sexta-feira (12), a Polícia de Goiás interceptou o veículo em Itumbiara (GO) e, com os suspeitos, de 30 e 36 anos, acharam uma arma de fogo, o documento da moto e joias que teriam sido furtadas da mulher.

Policiais investigam agora a motivação do crime e se há um mandante por trás. "Não há nenhuma dúvida de que eles são os autores. Inclusive, informalmente, um deles já até confessou o delito. O que levou a esses dois virem a cometer isso são questões que ainda estão em andamento e em sigilo", falou o delegado Márdio Bento Costa em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (12).

Os homens responderão por três crimes. São eles: feminicídio, com pena de 20 a 40 anos, praticado por meio cruel e que impossibilitou defesa da vítima; furto qualificado, com pena de dois a oito anos, além de adulteração da placa da moto utilizada no assassinato, com pena de três a seis anos.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie. Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares. Também é possível realizar denúncias pelo número 180 - Central de Atendimento à Mulher - e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

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