ÓRGÃOS COM HIV

Laboratório diz que erro humano levou à infecção de pacientes

Por Bruna Fantti | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução de vídeo/TV Globo
A Anvisa interditou o laboratório na quinta-feira (10).
A Anvisa interditou o laboratório na quinta-feira (10).

O laboratório PCS Lab Saleme afirmou, em nota neste domingo (13), que os resultados preliminares de uma investigação interna indicam que um erro humano levou à infecção com o vírus HIV de seis pessoas que receberam transplantes de órgãos no Estado do Rio de Janeiro.

Leia também: 6 transplantados recebem órgãos infectados com HIV no RJ

"Os resultados preliminares da sindicância interna apontam indícios de erro humano na transcrição dos resultados de dois testes de HIV, o que resultou na infecção de seis pessoas. A empresa, embora ainda não tenha sido notificada formalmente sobre o andamento das investigações - nem na esfera criminal, nem na administrativa - está à disposição das autoridades", declarou.

O laboratório não informou quem teria cometido o erro nem em qual momento ele ocorreu, mas cita, na mesma nota, que a técnica em patologia clínica Jacqueline Iris Bacellar de Assis informou ter diploma de biomédica e que assinaria laudos.

A assessoria do laboratório enviou a foto de um diploma de graduação em biomedicina de uma faculdade particular de São Paulo, no qual consta o nome de Jacqueline. Ainda de acordo com a assessoria, ela apresentou o documento no momento da contratação, que ocorreu em 2023.

O advogado José Félix, que representa a técnica, afirmou que sua cliente desconhece o diploma. "Jaqueline jamais trabalhou como biomédica, não tem capacitação técnica e nunca teve interesse na função. Sempre atuou no laboratório como supervisora administrativa." Sobre o documento, o advogado afirmou que a técnica "não reconhece o diploma".

De acordo com uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), técnicos em patologia clínica podem realizar atividades relacionadas à coleta, processamento e análise de amostras biológicas, desde que estejam treinados e atuem sob a supervisão de profissionais de nível superior.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Jaqueline afirmou que, apesar de estar habilitada para coletar e analisar exames, nunca atuou nessa área no laboratório, limitando-se a revisar erros de digitação e formatação.

Durante o período em que o laboratório prestou serviços para o sistema de saúde estadual do Rio de Janeiro, ele realizou 286 testes para o sistema de transplantes. Após a divulgação da contaminação dos receptores, a secretaria de Saúde do estado afirmou que faria o reteste das amostras de sangue.

Segundo o laboratório, eles obtiveram acesso ao resultado preliminar dos retestes. "Das 286 amostras submetidas a novo teste no HemoRio, os primeiros 205 resultados divulgados deram negativo para HIV, confirmando os laudos do PCS Lab."

"O laboratório reafirma que dará todo o suporte necessário às vítimas assim que tiver acesso oficial à identidade delas. Durante todo o processo de transplante, a única informação que o PCS Lab recebe sobre os doadores é a amostra de sangue - identificada apenas por código - colhida pela equipe da CET e entregue ao laboratório", acrescentou.

Entenda o caso

Seis pacientes na fila de transplante da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro receberam órgãos contaminados com o vírus HIV, resultando em seus testes positivos para a doença. O caso foi considerado "inadmissível" pela Secretaria de Saúde do estado, sendo algo sem precedentes.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, ordenou uma auditoria no sistema de transplantes do Rio, conduzida pelo Denasus, e determinou a suspensão cautelar do laboratório responsável, PCS LAB Saleme, para investigar possíveis falhas nos testes realizados.

A testagem de doadores no Rio passou a ser feita exclusivamente pelo Hemorio. Uma comissão multidisciplinar foi criada para dar suporte aos pacientes, e medidas adicionais, como a retestagem de outros doadores, foram iniciadas para evitar novos casos.

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