O papa Francisco pediu desculpas nesta terça-feira (28) pela linguagem utilizada em uma reunião com bispos na semana passada, quando ele teria dito que "já existe bichice demais" em seminários. Segundo a imprensa italiana, o pontífice disse a frase em reunião a portas fechadas, ao pedir para que bispos italianos não aceitem padres abertamente homossexuais.
“O papa nunca teve a intenção de ofender ou de se expressar em termos homofóbicos e estende as suas desculpas àqueles que se sentiram ofendidos pelo uso de um termo que foi denunciado por outros”, disse o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni. Em comunicado, Bruni afirmou ainda que o papa já disse "diversas vezes que a Igreja Católica está aberta a todos".
Nesta segunda-feira (27), o La Repubblica e o Corriere della Sera, diários de maior circulação da Itália, citaram o papa dizendo que seminários já são cheios de "frociaggine", termo italiano considerado vulgar que, em tradução livre, seria equivalente a "bichice". O La Repubblica, segundo matéria veiculada pela Reuters, atribuiu sua reportagem a várias fontes não especificadas. O Corriere disse que a sua se baseou em alguns bispos não identificados, que sugeriram que o papa, argentino, pode não ter percebido que o termo em italiano utilizado é ofensivo.
Francisco vinha recebendo créditos por liderar a Igreja Católica Romana com uma abordagem mais acolhedora à comunidade LGBT. Em 2013, no começo do seu papado, ele disse: "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?".
No ano passado, ele permitiu que padres abençoassem casais do mesmo sexo, o que gerou uma forte reação da ala mais conservadora da igreja.