O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse aos integrantes da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (22), durante audiência pública, que existe um movimento de críticas às políticas econômicas do governo que não tem base na realidade. Ele afirmou que os números da economia são positivos e estão sendo valorizados pelas agências de risco estrangeiras. “Eu não estou entendendo esse ruído todo que está acontecendo. Esse ruído não está fazendo bem para a economia brasileira. E não tem amparo nos dados, porque nós estamos gerando emprego com baixa inflação”, afirmou.
Haddad, bateu boca com deputados da oposição em vários momentos. Em um deles, questionado pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), que acusou o governo de gastar muito e compensar aumentando impostos, o ministro afirmou que as ações fiscais do governo agora são necessárias para ajustar as contas públicas após políticas do governo Jair Bolsonaro (PL).
"Só teve dois presidentes que deram calote desde a redemocratização, o Collor e o Bolsonaro [...] Aí vem o presidente e paga o calote, e 'ah, olha o déficit que o presidente Lula fez'. Esse déficit não é nosso, o filho é teu, tem que assumir, tem paternidade aqui. Faz o exame de DNA que você vai saber quem que deu calote", afirmou Haddad.
Já o deputado Kim Kataguiri (União-SP) criticou a busca do governo pelo aumento da arrecadação: “Vossa Excelência não acredita que há, até pela própria herança patrimonialista do nosso País, muitos privilégios no orçamento público, tanto para o setor público quanto para o setor privado, que o governo deveria cortar antes de pensar em tributação?”
Haddad afirmou que o governo está buscando a justiça fiscal no Orçamento. “Quem ganhava dois salários mínimos pagava imposto no governo Bolsonaro. E os amigos que tinham fundo offshore e fundo fechado não pagavam nada. Nada!”, rebateu.
O bate-boca não parou por aí. "A Terra é redonda o tempo todo", disse Haddad a Abilio Brunini (PL-MT) após ser chamado de "negacionista da economia". "Não faz o menor sentido o senhor estar fazendo esse discurso manso e ponderado enquanto o Brasil não está se desenvolvendo bem na economia", disse o deputado. "O senhor me chama de negacionista? Defendi a vacina o tempo todo, a Terra é redonda o tempo todo. Vocês negam que a Terra é redonda, vocês negam que a vacina previne, negam essas coisas. Negam que deram um calote em precatório, negam que deram calote em governador e eu que sou negacionista?", rebateu Haddad.
As quase cinco horas de sessão ainda renderam uma discussão sobre o show da Madonna no Rio no início do mês. "O deputado Abílio [Brunini (PL-MT)] me acusa de gostar de filme, livro e música. Eu gosto da cultura, eu sei que o bolsonarismo tem dificuldade com as artes. Vocês não gostam. Vocês vão ter que aprender a respeitar um dos maiores patrimônios desse país", disse Haddad. "Tipo a Madonna? Tipo o show da Madonna?", questionou o parlamentar. "Deputado, isso não é problema seu, não vai no show da Madonna, quem gosta vai?", respondeu Haddad.
* Com Agência Câmara de Notícias