POLÍTICA

Mauro Cid afirma ter recebido ordem de Bolsonaro para fraudar cartões de vacina

da Redação (*)
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/Agência Brasil
Jair Bolsonaro deu a ordem para emitir certificados de vacinação para ele e a filha, disse Mauro Cid em delação
Jair Bolsonaro deu a ordem para emitir certificados de vacinação para ele e a filha, disse Mauro Cid em delação

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid confirmou à Polícia Federal (PF) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria ordenado a inclusão sobre dados da vacinação contra a Covid-19 nos cartões de vacina dele e da filha mais nova, Laura Firmo Bolsonaro. As informações são do Metrópoles.

Mauro Cid afirma que, ao tomar conhecimento de que tinha documentos ideologicamente falsos com dados sobre a imunização contra a doença, o ex-presidente solicitou que o tenente-coronel fizesse o mesmo para ele e sua filha.

“Conforme exposto, em seu termo de depoimento o colaborador Mauro Cid afirmou que após a inserção dos dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em benefício de Jair Bolsonaro e Laura Firmo Bolsonaro, o então Ajudante de Ordens imprimiu os certificados de vacinação ideologicamente falsos e entregou em mãos ao então Presidente da República Jair Messias Bolsonaro”, diz o relatório da PF.A delação de Mauro Cid ainda é mantida em sigilo, mas trechos foram incluídos pela Polícia Federal no relatório que embasou o indiciamento de Bolsonaro, Mauro Cid e mais 15 pela suposta fraude nos cartões de vacina.

Indiciados
A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) e mais 14 pessoas no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas de Covid-19. Eles foram indiciados sob suspeita pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema público e associação criminosa. A informação foi revelada pelo portal G1 e confirmada pela Folha de S.Paulo.

"Conforme apresentado, os elementos acostados nos autos evidenciaram que os investigados se associaram com o fim de praticar inserções de dados falsos relacionados a vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde", diz o relatório final da PF ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso. "Tais condutas tiveram como consequência a alteração da verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, a condição de imunizado contra a Covid-19 dos beneficiários", continua.

A pena para associação criminosa é a reclusão de 1 a 3 anos. Já a inserção de dados falsos em sistema de informações tem pena de reclusão de 2 a 12 anos e multa. O advogado de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, reclamou nas redes sociais do que chamou de vazamento da investigação. "Vazamentos continuam aos montes ou melhor aos litros. É lamentável quando a autoridade usa a imprensa para comunicar ato formal que logicamente deveria ter revestimento técnico e procedimental ao invés de midiático e parcial", afirmou Wajgarten. A reportagem Folha de São Paulo procurou a defesa de Cid e o deputado Gutemberg, que ainda não responderam.

Este será o primeiro de três casos que têm Bolsonaro na mira e a PF espera concluir até julho. Além deste, os investigadores apuram a participação do ex-presidente numa trama para tentar dar um golpe de Estado e também o caso sobre joias recebidas da Arábia Saudita.

Essa investigação está vinculada ao inquérito das milícias digitais, que tramita em sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Foi no âmbito deste inquérito que foi feito o acordo de delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid. Segundo suspeita da Polícia Federal, dados falsos de vacinação foram inseridos em registros do SUS do ex-presidente para emitir um certificado.

No início de maio de 2023, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão no endereço de Bolsonaro e de prisão contra Mauro Cid e Max Guilherme, outro ex-assessor de Bolsonaro. Na ocasião, Bolsonaro prestou depoimento à PF sobre a investigação do caso. Ele disse que não determinou a inserção de dados falsos em sua carteira de vacinação, nem na de sua filha. Também afirmou que só teve conhecimento da adulteração quando esse tema começou a ser divulgado pela imprensa, em fevereiro deste ano.

Em depoimento anterior, também em maio do ano passado, Mauro Cid também reivindicou o direito ao silêncio e não respondeu às perguntas da PF. Em depoimento à PF, Gabriela Santiago Cid, mulher do tenente-coronel, admitiu ter usado certificado falso de vacinação contra a Covid-19. Segundo a Folha de S.Paulo apurou, Gabriela culpou o marido pela inclusão de dados falsos no sistema do Ministério da Saúde.

Veja a lista de indiciados

  • Jair Bolsonaro
  • Mauro Cesar Cid Barbosa
  • Gabriela Santiago Ribeiro Cid
  • João Carlos de Sousa Brecha
  • Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva
  • Célia Serrano da Silva
  • Gutemberg Reis de Oliveira
  • Ailton Gonçalves Barros
  • Sérgio Rocha Cordeiro
  • Max Guilherme Machado de Moura
  • Marcelo Fernandes Holanda
  • Camila Paulino Alves Soares
  • Luis Marcos dos Reis
  • Farley Vinícius Alcantara
  • Eduardo Cresp Alves
  • Paulo Sergio da Costa Ferreira

(*) Com Folhapress

Comentários

2 Comentários

  • Luís Roberto romero 19/03/2024
    Medo de ser preso e tanto que acaba entregando o amigo pra se livraria culpa. Todos tem que ir no mesmo lugar (la mesmo)
  • Geraldinho 19/03/2024
    Vai lá que não dá nada não! Sempre falo que agente público, não deve aceitar ser Pau mandando de ninguém, pq é ele, o primeiro a pagar a conta! Como se negar se um militar não pode se negar? É colocando empecilhos e pedindo coisas pra demorar mais pra não ser feita a tempo! Não tem outra forma! Só não seja pau mandado pra depois ser punido a rigor da lei e do regulamento! Coisas absurdas tb não se faz!