Empresários presos falaram à CPI sobre acampamento e ações no 8/1
A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira (29) três pessoas na 25ª fase da Operação Lesa Pátria, que busca identificar pessoas que planejaram, financiaram e incitaram os ataques do 8 de janeiro às sedes dos três Poderes. Duas prisões ocorrem no Distrito Federal e uma, em São Paulo. Na capital federal foram presos dois empresários: Adauto Lucio de Mesquita e Joveci Xavier de Andrade.
A CPI do 8 de janeiro na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recomendou, no ano passado, o indiciamento da dupla por incitação ao crime e associação criminosa. Abaixo, veja o que eles disseram em depoimento aos deputados do Distrito Federal.
Joveci Xavier de Andrade
Sobre o 8/1, disse: "No dia 8, cheguei à manifestação depois de 16 horas e não invadi nenhum prédio. Quando cheguei lá, vi que a coisa estava feia e tudo já estava destruído. Não entrei em prédios públicos. Só me aproximei do Palácio do Planalto. É de uma estupidez sem tamanho aqueles atos que quebraram, puseram fogo, roubaram as peças. Não tenho dúvida nenhuma que as pessoas que fizeram isso merecem estar presas." Questionado sobre os acampamentos golpistas, afirmou: "Estive no acampamento no máximo três vezes. Era um ambiente que eu senti que tinha o controle do quartel. Eu como empresário me senti seguro lá. Era como se fosse a segurança do quartel".
Adauto Lucio de Mesquita
Sobre o 8/1, disse: "Se eu imaginasse que teria chegado a esse ponto, dessa exposição e desse sofrimento, eu realmente não teria ido. Não teria participado. Eu me arrependo, sim". Indagado sobre os acampamentos, afirmou: "Das vezes que eu fui lá, presenciei militares andando por todo o QG, organizando o estacionamento. Ali estava sendo cuidado, controlado e protegido pelo Exército."
Relatório final
O relatório final do colegiado apontou evidências de que teriam financiado estrutura do acampamento em frente ao QG do Exército, apesar da negativa dos empresários em seus depoimentos. Na ocasião, eles contaram ser sócios em quatro empresas, Melhor Atacadista, Garra Distribuição, Canal Distribuição e Marcas Premium. De acordo com a CPI, eles contribuíram para o financiamento de carro de som e tendas no local.
Em depoimento à época, Mesquita disse que doou R$ 10 mil para a campanha de Bolsonaro. Já seu sócio negou ter doado recursos. Os dois disseram que não fizeram doações ou contrataram trios elétricos, mas a quebra de sigilo de uma das empresas mostrou pagamento à representante do trio que foi contratado no QG. Os dois também disseram que chegaram, em 8 de janeiro, na Esplanada dos Ministérios, quando já havia ocorrido a invasão dos prédios públicos e afirmaram que não participaram da depredação dos prédios.
Comentários
1 Comentários
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Geraldo 29/02/2024O Setor Militar Urbano é uma área toda do Exército e claro que teriam militares do EB pra vigiarem. No entanto que o Oficial de dia tem que fazer a ronda na madrugada em toda a extensão do QGEX... Que alguns militares estavam a favor do acampamento, eu não tenho dúvida. A briga é pelo o poder e o Bozo usou o povo (que agora tá se ferrando nestes inquéritos). O erro maior, foi escolherem o Bolsonaro, um militar reformado e que foi convidado a sair das FA e ainda deram a oportunidade dele reformar. Ele não foi exemplo pra ninguém na caserna e o povo, no seu próprio ódio externalizado acabou escolhendo o bocudo pq eles não tem coragem de ir pra política, pra fazer coisa melhor. Não é dando o golpe que resolverão os problemas do país.