POLÍTICA

Chanceler volta a cobrar de Lula pedido de desculpas após fala sobre Holocausto

da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/Agência Brasil
A declaração de Lula abriu uma crise diplomática com o governo israelense
A declaração de Lula abriu uma crise diplomática com o governo israelense

Dois dias depois de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparar as ações militares de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, o ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, voltou a cobrar do presidente brasileiro nesta terça-feira (20) um pedido de desculpas. "Milhões de judeus em todo o mundo estão à espera do seu pedido de desculpas. Como ousa comparar Israel a Hitler?", escreveu Katz, em português, na plataforma X. Ele mencionou Lula na publicação.

"Que vergonha. Sua comparação é promíscua e delirante. Uma vergonha para o Brasil e um cuspe no rosto dos judeus brasileiros. Ainda não é tarde para aprender História e pedir desculpas. Até lá, continuará sendo persona non grata em Israel!". Lula afirmou no domingo (18) que as ações militares de Israel na Faixa de Gaza configuram um genocídio e ainda fez um paralelo com o extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler. "Sabe, o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus", disse o petista.

A declaração de Lula abriu uma crise diplomática com o governo israelense. Nesta segunda (19), o Ministério das Relações Exteriores do governo de Binyamin Netanyahu declarou o líder brasileiro "persona non grata". Mais além, a pasta fez uma reprimenda ao embaixador Frederico Meyer no Memorial do Holocausto, o Yad Vashem. O gesto foi classificado por um diplomata brasileiro como "show". Normalmente, advertências a embaixadores são feitas nas sedes das chancelarias.

Lula retribuiu na mesma moeda ao convocar Frederico para voltar ao Brasil. na segunda (19), uma mensagem da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defendendo o presidente deixou claro que Lula não pretendia recuar de suas falas, nem pedir desculpas a Israel, como o governo de Netanyahu exige.

A convocação de Frederico para ir ao Memorial do Holocausto foi um recado claro e simbólico. Criado em 1953, o espaço em Jerusalém reúne vários museus, centros de pesquisa e educação sobre o Holocausto nazista, que matou 6 milhões de judeus.

O premiê Netanyahu já havia dito que Lula "cruzara uma linha vermelha" com suas declarações, e alguns deputados federais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usaram o tema politicamente e chegaram a aventar um pedido de impeachment do petista.

Comentários

1 Comentários

  • Kamila Gomes Dias 20/02/2024
    Os terroristas do Hamas assassinaram e sequestraram 1550 israelenses, o exército do Bibi invadiu e assassinou mais de 22 mil palestinos, mais de duas mil crianças entre esses tantos. E então??, quem deve desculpas mesmo??, o Lula que alerta o mundo desse genocídio???, ou um certo político sionista que estava sendo processado por corrupção em Israel e já teria caído não fosse essa guerra contra os palestinos??. E tem outra coisa tbm, quem não se lembrou do Holocausto Judeu quando assistiu na TV o bombardeio de civis palestinos inocentes na Faixa de Gaza??. O que o Lula fez foi ter a coragem de dizer o que todo pensa e fala respeito desse genocídio do povo palestino.