POLÍTICA

Operação contra Carlos teve sinal em alto-mar, helicópteros e tensão com PF

Por Marianna Holanda e Victoria Azevedo | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/Agência Brasil
Vereador Carlos Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal
Vereador Carlos Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal

A operação da Polícia Federal contra o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) teve, segundo relatos de aliados, momento de tensão, falta de sinal de telefone em alto-mar e helicópteros sobrevoando Mambucaba, distrito de Angra dos Reis (157 km do Rio de Janeiro) na divisa com Paraty.

O passeio de barco, onde estavam Carlos e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi combinado na véspera. No final de semana, dirigentes do PL estiveram em Angra para acompanhar o lançamento da pré-candidatura de Renato Araújo, a primeira com presença e forte empenho do ex-mandatário.

A segunda-feira (29) do clã começou cedo, por volta das 5h50, quando Bolsonaro saiu para pescar com um barco e um jet ski. Ele estava acompanhado de Carlos e Flávio (PL-RJ), do deputado Coronel Zucco (PL-RS), de Araújo e dos seguranças presidenciais (ele tem direito como ex-presidente).

Pouco depois, policiais federais chegavam ao gabinete e à residência do vereador no Rio, num desdobramento da operação que apura a existência de uma "Abin paralela" durante o governo do ex-presidente.

Mas, segundo relatos, o grupo estava pescando em alto-mar e, portanto, sem sinal. Foi somente por volta das 9h40 que receberam ligação do assessor Fabio Wajngarten, souberam da operação e voltaram ?Bolsonaro e Carlos no jet ski; os demais, no barco.

A essa altura, Mambucaba já tinha visto o primeiro helicóptero do dia: a PF usou a aeronave da Polícia Rodoviária Federal e já estava na casa de Bolsonaro em Angra. Os agentes encontraram o vereador chateado e abalado, segundo relatos.

Os filhos do presidente se queixaram da operação e disseram se tratar de uma operação ilegal e cinematográfica. "Até helicóptero pousou aqui na vila. Teve uma aglomeração na frente da casa do meu pai para apoiá-lo. É isso que o Alexandre [de Moraes] está arrumando", disse Flávio ao jornal O Globo.

Os agentes revistaram os cômodos e queriam levar os celulares de todos os presentes, incluindo o do ex-presidente.

Bolsonaro, então, ligou para os seus advogados, que estavam em deslocamento de São Paulo para o Rio de Janeiro, também de helicóptero. O diálogo com o delegado da PF foi o maior momento de tensão. O único alvo do dia era Carlos.

Por fim, a PF se convenceu em levar apenas dois celulares e um computador do vereador, mas também um notebook e um tablet de Tércio Arnaud, assessor de Bolsonaro, apontado como um dos integrantes do chamado "gabinete do ódio".

Além disso, os policiais levaram anotações usadas pelo ex-presidente para a live realizada na véspera, com os filhos.

Tércio trabalhou no Palácio do Planalto e hoje acompanha Bolsonaro, filma e edita vídeos, entre outras atribuições. Ele está em Angra com o clã e foi, inclusive, quem estava em casa quando a PF bateu à porta.

A defesa do assessor já encaminhou uma petição ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedindo a imediata devolução dos itens.

Os advogados de Tércio afirmaram, também em nota, ser "inaceitável e inconcebível que terceiros, sem absolutamente qualquer tipo de relação com os fatos apurados, tenham seus bens apreendidos com base em maldosa e indecorosa interpretação de determinada ordem judicial específica".

Entre os bolsonaristas, houve irritação e alegações de que a operação teve ilegalidades. Além da queixa de que os agentes levaram itens de uma pessoa que não era alvo, também apontaram a tentativa de levar celulares dos parlamentares e do ex-presidente.

O principal argumento dos bolsonaristas é o de que há uma perseguição político-eleitoral em curso, com vistas especialmente ao pleito municipal de outubro. Eles citam como exemplo que esta é a terceira operação contra aliado do ex-presidente num pequeno intervalo de tempo ?na semana passada, foram contra os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).

"É preciso ressaltar que o mandado de busca e apreensão extrapolou todos os limites da legalidade, haja vista que a Polícia Federal vasculhou a casa inteira do presidente Bolsonaro, que sequer é alvo desta operação. Afinal de contas, quem era realmente o alvo ou os alvos dessa ação?", questionou Zucco, que está em Angra com o clã.

Já Bolsonaro disse à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que a intenção da operação desta segunda é a de "esculachar" com ele e sua família. O ex-presidente afirmou que querem encontrar algo para envolvê-lo em algum crime, mas que não conseguirão. "Estão jogando rede, pescando em piscina. Não tem peixe", disse.

Em nota divulgada na noite de segunda, a defesa de Bolsonaro também usou o mesmo termo.

"A verdade é que a operação da Polícia Federal na data de hoje pode ser classificada como mais uma desastrosa e indevida fishing expedition, ou pescaria probatória, subvertendo a lógica das garantias constitucionais, vasculhando-se a intimidade e a vida privada de cidadãos probos, vilipendiando seus direitos fundamentais e extrapolando os limites legais", diz o texto.

Comentários

3 Comentários

  • Juvelino Andas Tantas 30/01/2024
    Uma democracia conquistada às duras penas e por muito tempo de lutas e dores de 250 milhões de brasileiros quase foi derrubada, uma nação quase voltou para os tempos das torturas e d9s todos os tipos de arbítrio e truculência selvagem, quase regredindo um século de conquistas e loberdades democráticas. Agorem esses psicopatas doentes dos corpos e almas, adoradores dos demônios das mentiras, dos ódios, das diabólicas manobras de enganar, mentir, fraude e ameaçar uma nação inteira se fazendo de vítimas?, de inocentes perseguidos?, de coitadinhos injuriados?. Eu não dizer que merecem o fuzilamento que eles mesmo desejaram à muitos, não vou dizer que gostaria de ve-los torturados como era o gosto deles, não vou dizer que deveriam fugir ou serem assassinados que eram os métodos que eles queriam implantar de novo no país, vou dizer, e cobrar, que esse país continua sendo uma democracia e que nós temos leis, tribunais e homens de bem e de coragem para lhes dar o que as leis impõem aos criminosos como eles. Então que se cumpram as leis, que a cada um a dose da sua pena na medida do que fizeram, sem perdão e sem raiva também, não somos como eles, somos o que eles não e não precisamos fazer com eles o que eles queriam fazer ao Brasil, somos das leis, das ordens, dos tribunais, do julgamento justo e do cumprimento das leis, a conta chegou e quem deve tem que pagar. Pois que paguem o que devem, e devem muito.
  • Rombo recorde nas contas publicas 30/01/2024
    A bem da verdade essa pirotecnia dessa malfadada operação nitidamente foi para desviar o foco da divulgação ontem do segundo maior rombo histórico nas contas publicas do governo federal, de quase 300 bilhões, que a mídia sensacionalista e irresponsável deu muito mais holofotes a essa mal sucedida operação de pirotecnia, que custou milhares de reais aos cofres públicos
  • Sandro 30/01/2024
    Materia tendenciosa, jornalismo sujo e partidário. não por se tratar de Bolsonaro, mas por so replicar materias tendenciosas e politicas contra os que apiam o conservadorismo no Brasil. Cade materias falando sobre quem matou Mariele, Quem mandou matar Celso Daniel, quem mandou matar Bolsonaro0, quem matou Jessica, quem negou tratamento para Clesão na Papuda, são materias importantes que nao vemos no tal Jornalismo imparcial\"