Ingredientes
30 gramas de manteiga
1 cebola média picada em cubos
1 talo de alho-poró cortado em rodelas
500 gramas de ervilhas congeladas
700 ml de caldo de legumes
240 ml de creme de leite fresco
2 colheres (sopa) de cebolinha verde
1 colher (sopa) de ervas finas desidratadas
Sal a gosto
Gregor Mendel nasceu em 1822 numa pequena cidade hoje chamada Brno, então no território austríaco e há algumas décadas pertencente à República tcheca. Desde menino demonstrava interesse pelas plantas que sua família de pequenos lavradores cultivava. Brilhante estudante,foi encorajado por professores a seguir cursos superiores. Sem condições financeiras, só pôde fazer isso aos 21 anos, quando ingressou na Ordem de Santo Agostinho.Tornou-se monge, assumiu a supervisão dos jardins do mosteiro, conquistou uma bolsa na Universidade de Viena.
Depois voltou à sua cidade e se tornou professor de ciências naturais na Escola Superior. Foi aí que dedicou sete anos de sua vida ao estudo do cruzamento de espécies de feijões, chicória, bocas-de-dragão, plantas frutíferas e principalmente ervilhas cultivadas na horta do mosteiro. Analisando os resultados matematicamente, descobriu que a existência de determinadas características das flores, como sua cor, por exemplo, se devia à presença de um par de unidades elementares de hereditariedade. Mais tarde essas unidades seriam conhecidas por “genes”.
Em 1864 concluiu dois trabalhos hoje clássicos: ‘Ensaios com Plantas Híbridas’, que não abrangia mais de trinta páginas impressas; e ‘Hierácias obtidas pela fecundação artificial’, este bem mais volumoso. No mesmo ano formulou e apresentou em dois encontros da Sociedade de História Natural de Brno as leis da hereditariedade, que só no começo do século XX seriam associadas ao autor da pesquisa: Leis de Mendel.
Publicados no ano seguinte, os títulos permaneceram desconhecidos do mundo científico. O silêncio que logo deixou no limbo as pesquisas perturbou e magoou Mendel; e o tempo demonstraria que havia razão para tal. Em 1900 três pesquisadores europeus que trabalhavam de forma independente descobriram as obras e lhes conferiram o devido valor. Mendel, que havia morrido há dezesseis anos, não viu este reconhecimento. Hoje é tido como personalidade importante no mundo científico, sendo considerado o “Pai da Genética.” No mosteiro onde viveu existe um monumento em sua homenagem, e os jardins onde foram realizados os célebres experimentos com ervilhas permanecem conservados.
A ervilha é uma leguminosa que pertence ao mesmo grupo do feijão e da soja. Na reprodução, surgem vagens contendo sementes, as ervilhas. A escolha de Mendel por este material de pesquisa não foi casual. Planta fácil de cultivar, tem ciclo reprodutivo curto e produz muitas sementes.
Na horta do mosteiro existiam diversas variedades de ervilhas, dotadas de características de fácil confrontação. Por exemplo, as de flores púrpuras podiam ser comparadas com as de flores brancas; as de sementes lisas com as de sementes rugosas. E assim por diante.
A partir da autopolinização, Mendel produziu e separou diversas linhagens puras de ervilhas para as características que ele pretendia estudar.
Sempre que preparo sopa de ervilhas me vêm à mente dois fatos. As aulas de biologia que tínhamos no ginásio; e essa questão tão comum do reconhecimento tardio. É quando penso também que nem sempre se faz justiça- seja por inveja, maldade ou pura ignorância. Mas uma coisa é certa: a verdade prevalece, mesmo quando todos os que de alguma forma protagonizaram e testemunharam os fatos já tenham sido transformados em pó.
Fechado o preâmbulo, vamos à cozinha. O frio deste julho está pedindo sopas e, depois do caldo verde e da sopa de abóbora, publicadas em edições anteriores, sugiro este creme de ervilhas fácil de preparar, leve mas nutritivo, perfeito para noites de inverno. Seu toque especial está na colherada de creme de leite batido com pitada de sal e ervas finas, que você pode adicionar como decoração e funciona como um contraponto ao adocicado das ervilhas.
Derreta a manteiga numa panela e refogue a cebola picada até ficar transparente. Junte o alho-poró e mexa. Acrescente as ervilhas e em seguida o caldo de legumes. Cozinhe até que estejam bem macias. Retire do fogo e com uma concha transfira o conteúdo para o copo do liquidificador. Ponha um guardanapo na boca do copo e firme a tampa para que os vapores quentes não espirrem quando o motor for ligado. Bata por dois minutos ou até transformar a mistura num creme. Devolva à panela e agregue metade do creme de leite, sal, pimenta. Volte ao fogo para aquecer. Bata a outra metade do creme de leite, tempere com o sal e as ervas. Despeje o creme em cumbucas individuais, coloque uma colher do creme de leite, arremate com a cebolinha verde.