Usada em dezenas de receitas, a hortelã, como erva aromática, é dos sabores mais conhecidos dos povos. Originária do sul da Europa, das regiões mediterrâneas, rapidamente se espalhou para o mundo, sobretudo nas zonas temperadas. Seu perfume quente e doce, ao mesmo tempo refrescante, tornou-a muito empregada em diferentes cozinhas. Na dieta árabe seu uso é amplo e há pratos que perdem totalmente a personalidade na ausência dela.
Devemos especificar a hortelã imprecisamente, de forma genérica, já que o nome científico relaciona pelo menos vinte gêneros. Elas se misturam com facilidade, se hibridizam sem problemas e quando encontramos uma não dá para definir corretamente apenas pelo olhar. Mas para a culinária os dois tipos mais usados pertencem à espécie Mentha, que se subdivide em Spearmint e Peppermint.
Naturalmente, como é de amplo conhecimento, a infusão é carro chefe da planta: qual criança brasileira não terá tomado um dia o seu chá de hortelã? Em países muçulmanos como o Marrocos, é consumida por milhões, assim como o fazemos no Brasil com o cafezinho, presente a toda hora do dia ou da noite. Pelas ruas de Marrakesh e outras cidades maiores ou menores, o perfume do chá é a lembrança que a memória olfativa mais retém. No reino doce, pode ainda incrementar geleias cítricas. Dar o toque de vento gelado a certas balas. E junto ao chocolate torná-lo ainda mais irresistível.
Mas nem só no chá e nos preparos adocicados a hortelã é protagonista. As folhas desempenham papel importante na elaboração de muitos pratos salgados; e as flores também entram como ornamento em guarnições e saladas. Combinam bem com pimenta, orégano e salsa em pratos com ingredientes cozidos e frescos. Algumas carnes são favorecidas com o gosto da hortelã; ela se torna indispensável para temperar o carneiro. E se quiser obter um molho que enaltece sopas de lentilhas, feijões e grãos similares, misture-a com cominho, pimenta-do-reino, tomilho, cardamomo, cravo-da-índia, endro, gengibre, páprica e salsa. Guarde em vidros esterilizados, bem tampados, em lugar fresco, e vá usando segundo as oportunidades.
Como pertence ao reino das ervas frágeis, que murcham logo, quando comprar mergulhe o caule em um copo de água e mantenha na geladeira. Uma boa forma de ter hortelã sempre fresca à mão, é usar a técnica do cubo de gelo. Destaque as folhas, ajeite em forminhas, encha-as de água. Coloque no congelador ou freezer. Quando for usar é só pegar um cubo de gelo e a folha vai estar intacta, com todas as suas propriedades mantidas, própria para o consumo.
Sempre aconselho a quem gosta de cozinhar a cultivar ervas em casa. Pode ser em pequeno canteiro ou mesmo em vasos. Tenho os meus, com as minhas sete ervas preferidas. Plantas perenes como hortelã não precisam de muita água mas clamam por pelo menos duas horas de sol pela manhã. Nada como colher na hora e levar também o frescor aos pratos. E lembre-se de que hortelã tem sua raiz em horta, de onde se deduz que é a planta que desde épocas remotas fez parte da casa, do ambiente doméstico.
Para preparar esta sopa de ervilhas onde folhas de hortelã dão o toque de frescor, comece pelo caldo. Não se deixe tentar pelo cubinho industrializado. Ele tem muito sódio e pode comprometer o sabor genuíno dos ingredientes frescos. Faça o seu próprio caldo. Comece lavando bem todos os legumes. Descasque a cebola e corte em quatro. Raspe as cenouras e corte em rodelas grossas. Corte o salsão em pedaços de aproximadamente 5 cm. Numa panela junte os legumes, as folhas de salsão, os temperos. Cubra com água e leve ao fogo alto. Quando começar a ferver, abaixe a chama e deixe em fogo médio por 30 minutos. Ao fim deste prazo, deixe esfriar e coe, passando por peneira fina. Se não usar tudo, guarde o que restar na geladeira por até cinco dias. Pode-se congelar em forminhas de gelo por até três meses.
Com o caldo pronto, junte as ervilhas e leve ao fogo até ferver e então desligue. Transfira para o liquidificador e junte as folhas de hortelã que deverão estar lavadas e secas. Acrescente o sal e a pimenta-do-reino. Ajuste um guardanapo ou pano de prato na boca do liquidificador e coloque a tampa. Verifique se está bem fechada, pois a força do vapor pode jogar a tampa longe e queimar quem manuseia a peça. Bata até que o caldo fique bem lisinho. Passe para uma tigela e leve à geladeira por mínimo de três horas. Ao servir, enfeite com as folhas de hortelã salpicadas sobre a sopa geladinha e regue com uma colher (sopa) de azeite.
Você pode ver na foto acima outra versão, feita para dias frios. Neste caso, o caldo deve ser substituído pelo de carne. Use o músculo cortado em cubos e temperado com sal e pimenta. Cozinhe por uma hora e coe. A hortelã continua a fazer parte da receita, mas sobre a sopa quente salpique pipocas em lugar das folhas e em substituição aos croutons, sempre presentes nestas preparações de inverno.
De um ou outo jeito é muito boa esta sopa. Fria, é brisa; quente, é aconchego.
INGREDIENTES
600 gramas de ervilhas congeladas
1 litro de caldo de legumes
½ xícara (chá) de hortelã fresca
4 colheres (sopa) de azeite
Sal a gosto
Pimenta-do-reino moída na hora
Folhas de hortelã para enfeitar
Caldo
2 cenouras
2 talos de salsão
1 cebola grande
2 litros de água
2 folhas de louro
3 cravos-da-índia
5 grãos de pimenta-do-reino
Passo a passo!
Prepare o caldo conforme indicações do texto
Lave, seque, meça as folhas de hortelã
Junte as ervilhas ao caldo já coado e leve a ferver
Depois de cozido, despeje no liquidificador e junte a hortelã
Bata até ficar fininho, despeje em vasilha, deixe gelar