Caldo verdinho...


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Sopa clássica portuguesa tem poucos ingredientes mas sabor concentrado
Sopa clássica portuguesa tem poucos ingredientes mas sabor concentrado

"Numa casa portuguesa fica bem/ pão e vinho sobre a mesa/ E se à porta humildemente bate alguém/ senta-se à mesa com a gente/ Fica bem esta franqueza, fica bem/ que o povo nunca desmente/A alegria da pobreza/está nesta grande riqueza/ que é de dar e ficar contente." Este trecho pertence à canção Uma casa portuguesa, composição de Reinaldo Ferreira, com as devidas licenças poéticas, e deve ter um século. Foi sucesso na voz da maior fadista de Portugal, Amália Rodrigues, embora não pertença ao gênero que tornou famosa a artista. No Brasil foi gravado por muitos cantores de épocas já jurássicas. De vez em quando aparece alguém resgatando a música em programas populares de auditório exibidos pela TV. Este tempo que a canção descreve não existe mais, se é que existiram um dia estas "quatro paredes caiadas/ um raminho de alecrim/ um cacho de uvas doiradas/ uma rosa/ num jardim." A Revolução dos Cravos mudou a face de Portugal, a modernização chegou enfim ao país, os lisboetas viram instalado seu primeiro shopping, o Amoreiras, há apenas vinte anos. Mas o povo sente na pele as agruras de uma crise econômica sem fim, da qual não consegue sair mesmo depois da entrada na Comunidade Europeia. 

O que tem a ver com esta página que versa sobre culinária a canção quase folclórica, e bela na sua estrutura simples, como convém ao poeta que pretende retratar uma vida quase ascética? Tem a ver que bem no final, no estilo descritivo e plástico que a caracteriza, ela chama a atenção para o prato que elegi como sugestão neste domingo: " No conforto pobrezinho de meu lar/ há fartura de carinho/ e a cortina da janela é o luar/ mais o sol que bate nela.../ Basta um pouco, poucochinho pr´alegrar/ uma existência singela.../ É só amor, pão e vinho/ e um caldo verde verdinho/ a fumegar na tigela". O caldo verde cai bem nestas noites frias e pode ser preparado rapidamente, com poucos ingredientes, como a maioria dos pratos tornados clássicos. Leva batatas, algum embutido, folha de louro, caldo de carne ou galinha, e a couve, esta verdura prosaica. 

Comece preparando o caldo. Depois descasque as batatas e leve-as a cozinhar nele. Quando estiverem macias, retire-as com espumadeira para uma vasilha. Esmague-as com garfo, grosseiramente. Devolva a massa à panela com o caldo. À parte frite o embutido de seu gosto na água, ou seja, perfure a pele e cozinhe até ficar seco. No prato que você vê nesta página usamos linguiça portuguesa. Corte em rodelas, junte à sopa, deixe ferver. Pique a couve bem fininha e quando o caldo estiver borbulhando, coloque-a , mexa um minuto e desligue. Tampe e deixe mais um minuto. Sirva a seguir, de preferência com pão de miolo massudo. 


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