Milongas em Buenos Aires


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Nossos vizinhos são definitivamente privilegiados. Aqui não é lugar de discussões prolongadas sobre política, situações econômicas ou (in)competência de governantes. Vou me ater apenas à descrição e comentários pessoais sobre uma das capitais mais encantadoras do mundo: Buenos Aires.

E existem vários motivos para ela ocupar todo esse espaço em meu coração (sim, existe romantismo em mim) e dá para entender a leve empáfia que os Portenhos mostram (sim, existe um crítico em mim). Com uma cidade como aquela de capital, eu também andaria com o peito estufado como um pato.

Uma das características encantadoras não só da cidade, mas do país como um todo, é o seu povo. Tão arcaico como culpar os portugueses pelos nossos problemas, é deixar que uma saudável rivalidade futebolística nos faça rotular de maneira pejorativa uma nação inteira. Todas as vezes que desembarquei em Ezeiza fui extremamente bem tratado.

Precisa ser muito obtuso para não perceber o carinho com que nossos hermanos nos tratam. E olha que ultimamente os brasileiros tem “invadido” o país, aproveitando esse período de valorização de nossa moeda frente à deles. Chegamos no restaurante em grupos, puxamos as mesas e as cadeiras para “juntar a galera”, falamos português com o garçom como se fosse obrigação dele entender, pedimos desconto na conta. E eles sorriem.

Aliás, já tocando em meu assunto favorito, os restaurantes de lá são divinos. Há sim lugares com excelente comida japonesa, italiana, francesa, chinesa, afinal se trata de uma mega cidade. Mas não há ser vivo vertebrado no mundo que resista à carne deles. Impressionante! Um amigo argentino, dono do restaurante El Mirasol (três endereços diferentes só na capital), se chama Charly e nos convidou para jantar lá. Me perguntou o que eu gostava de comer:

Eu - Ah, bem temperada, eu como até pedra. 

Charly- Deixa comigo entonces (sorriso irônico)

Fomos servidos com cérebro de boi, intestinos, moelas e rins. Meu estômago não leva desaforo, arrebenta o que vier. Estava tudo delicioso. Para finalizar um bife de “chorizo” que o garçom cortava ao meio com uma colher. Meio mal passado, sangrando, onipresente no prato, não durou muito tempo ali. O crepe de doce de leite com sorvete de baunilha finalizou com “bumbos e platillos” o magnífico jantar!

Caminhar pelas ruas de Buenos Aires já é um belíssimo passeio. Bairros arborizados, planos, fáceis de caminhar, bares e restaurantes em todos os cantos, livrarias elegantes, shoppings e lojas, e até táxis baratos! A duas horas de voo de onde estamos, vale a visita nem que seja por dois dias, o ideal mesmo seria ficar um mês. 

Um dos bairros mais boêmios e festeiros é Palermo, tanto o Soho como o Hollywood, pois o bairro é tão grande que existe essa divisão. Os melhores bares, restaurantes descolados e baladas do momento estão ali. Fique esperto apenas com os horários, a diversão deles começa geralmente depois das duas manhã e vai até depois do cantar dos galos. Se pintar ressaca, se afogue nos churros com doce de leite e chocolate cremoso do Café Tortoni, garanto que é cura certa!

Meu perspicaz leitor, esta coluna divertida e informativa passa a ser veiculada a partir desta semana às quartas-feiras. Conto com a sua costumeira leitura. Até lá!

DICA DA SEMANA -  Restaurante El Mirasol

Site: http://www.elmirasol.com.ar

Especialidade: CARNE, principalmente miúdos! As sobremesas também são fenomenais.

Detalhe: escolha a unidade que fica no bairro Recova, é a mais bacana e muito bem localizada.

ALEXANDRE MASSOTI jundiaiense de coração, agente de viagens e cidadão do mundo. Formado em administração de empresas, atua na área de turismo há 20 anos. E-mail: [email protected], e-mail: [email protected], e-mail: [email protected] 

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