Com alta demanda, lojistas enfrentam o risco de desabastecimento nos próximos meses


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O aumento da demanda repentina, ao lado do déficit nos sistemas de entrega na região, desencadeou mais um entrave para os comerciantes que têm buscado o impulsionamento das vendas: o desabastecimento dos estoques.

Algumas lojas, não só do Centro, como também dos shoppings da cidade já enfrentam essa realidade no dia a dia. Contudo, a preocupação se intensifica em função das próximas datas importantes para o comércio, como a Black Friday, que acontece em novembro e as festas de final de ano, que são fortes para o comércio.
Maria Aparecida da Silva, de 45 anos, é auxiliar de gestão de uma perfumaria e alega que a principal dificuldade é em relação aos produtos importados. "Trabalhamos com perfumes e temos que ter um cuidado especial para que não falte estoque desses produtos. Mas no geral, quando falta, acabamos entrando em contato com outras lojas da nossa rede para fazer essa transferência de mercadoria, que acaba sendo um meio mais eficiente para atender o consumidor final sem que ele tenha que esperar por muito tempo", explica.

O estabelecimento também trabalha com produtos de beleza e estética e, para esses itens, a tática tem sido manter o estoque recheado. "Trabalhamos com um estoque grande então só estamos com dificuldade para manter alguns produtos de marcas muito específicas. Para nós, a procura não foi tão flutuante, mas para o final do ano a expectativa é que as vendas cresçam bastante para compensar os meses de pandemia em que ficamos com as portas fechadas. Mas, claro, estamos cientes que isso também demandará maior gestão do nosso estoque para que as vendas não sejam prejudicadas", diz.

De acordo com a gerente de vendas de uma rede de calçados, Vanuza Conceição Andrade, de 32 anos, esse cenário traz uma insegurança em relação aos próximos meses, que, devido aos eventos comerciais, deverão aumentar a busca pelo público consumidor. "Estamos receosos em relação às vendas de final de ano em função da demanda que está muito alta. Isso acaba prejudicando nossas vendas desde este momento, mas para tentar reduzir esse impacto, nossos vendedores sempre oferecem produtos semelhantes para ver se são capazes de sanar a necessidade dos nossos clientes", diz, alegando que as chuteiras e os chinelos são alguns dos produtos mais buscados pelo público.

O diretor comercial, Tiago Antunes Bertelli, de 36 anos, afirma que o planejamento para as compras de final de ano já começou. "Sempre nos programamos com pelo menos três meses de antecedência e, além disso, projetamos um crescimento de 50% nas vendas no período em relação aos demais meses de pandemia. Por isso, também teremos que reforçar nosso estoque", reitera, valendo-se de que neste ano, o movimento poderá ser atípico.

O presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro, afirma que esta situação foi inesperada para todos. “Sabemos que é uma situação inesperada, provocada pela pandemia, que afetou toda a cadeia produtiva da indústria. As indústrias reduziram a produção e ao mesmo tempo houve aumento na demanda de alguns produtos consumidos em casa, com as pessoas no isolamento social. É um cenário preocupante porque já esta afetando a venda de comerciantes de Jundiaí e pode atrapalhar o faturamento do Natal, a principal data para os varejistas. Temos informação de comerciante que já está deixando de vender porque o estoque de alguns produtos acabou e a previsão de entrega é só janeiro”, reitera.

PLANEJAMENTO
Ainda que o atual cenário seja atípico, planejar as compras de reposição, bem como controlar a entrada e saída de produtos pode ajudar a evitar o desabastecimento. É o que explica o coordenador do curso de logística da Fatec Jundiaí, Cláudio Farias Rossoni. “A primeira e mais importante dica é o planejamento. A partir disso, podemos determinar o fluxo logístico de acordo com a demanda do local, levando em conta não só a armazenagem logística, como também outros fatores como a sazonalidade do mercado e os custos com transporte”, diz.

Especificamente para o setor comercial, o especialista alega que é preciso ficar atento às tendências. “O comércio de roupas em Jundiaí é muito forte. Então, além de se programar para os eventos comerciais, também é preciso se planejar para as mudanças de estação, como o verão por exemplo, que demanda um estoque bem preparado com roupas mais leves e outros artigos”, aconselha.

 

MATERIAIS COM O PREÇO LÁ EM CIMA

Além do comércio de roupas e calçados, outros setores também sofreram este impacto do desabastecimento, como o ramo de construção civil. De acordo com o Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Material de Construção do Estado de São Paulo (Sincomaco), um dos fatores que influenciaram o desabastecimento dos estoques foi a alta dos preços. Segundo um levantamento feito pela UAU Globaltec, empresa responsável por mensurar quanto as construtoras pagam para a indústria, alguns itens, como o tijolo, tiveram aumento de 140% para as construtoras, o cabo de cobre, por sua vez, teve aumento de 75%.

Para o gerente da Tortorella, Renan Rossi, de 35 anos, inúmeros produtos básicos estão em falta. "Cimento, ferros para estruturas e itens de acabamento, como janelas são um dos itens mais pedidos e, consequentemente, que nos geram maior dificuldade para manter no estoque. Isso porque, ao lado da alta demanda, existe a falha do setor logístico e dos fornecedores, que muitas vezes também não possuem os produtos que precisamos", pontua, alegando que, na maioria das vezes, quem já está com a obra ou reparo iniciado, não espera até que o produto em falta chegue ao estoque.

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