Modelo: sonho ou pesadelo?


| Tempo de leitura: 2 min

Stefanie Medeiros, 1,75m, 56 kg, 29 anos, rosto angelical, perfeitamente linda e dona de uma carreira internacional de sucesso. O sonho poderia estar completo a não ser pelos perrengues que a jornada profissional lhe trouxe. Ela se deu bem, mas agora quer ajudar as meninas que começam na carreira, sem apoio emocional ou aconselhamento.

Descoberta por um olheiro enquanto passeava em um shopping, aos 14 anos, Stefanie foi morar em Paris, para ser modelo comercial. Longe da família pela primeira vez, ela conta que recebia um magro salário semanal. “Dali, eu tinha que tirar meu transporte, alimento, comprar o necessário. Mal dava para os gastos. Não falava inglês muito menos francês e não recebia apoio de ninguém. Ficávamos em uma casa com outras modelos, e tínhamos uma senhora que cuidava da gente.”

A rivalidade entre as modelos russas e as brasileiras, consideradas as mais bonitas do mundo, foi sentida na pele por Stefanie. Ao ganhar uma campanha, a rival russa colocou laxante em seu iogurte para que ela não comparecesse à sessão. “Fui parar no hospital e minha mãe pediu para voltar ao Brasil.”

Deprimida, chegou a engordar dez quilos, mas aos poucos tentou a reeducação alimentar e voltou a ser modelo comercial. Ao desafiar o padrão de beleza e cortar seus cabelos curtíssimos, Stefanie foi capa da Revista L’Officiel e realizou campanhas em Nova York, Paris e Milão. “Fui mudando de tons, cheguei a raspar o cabelo e isso me tornou mais atraente para as campanhas.”

Os perrengues continuam acontecendo. “De repente, você tem que fazer uma campanha de 30 horas montada em um cavalo, sem nunca ter galopado antes. Ou ainda enfrentar sessões de fotografia que acabam às 2h e voltar às 6h para o set.” Tanto profissionalismo assim Stefie aprendeu no Japão. “Eles são muito rigorosos, fazem tudo com muita disciplina, foi um aprendizado para mim.”

Casada há 11 anos com um lutador de jiu-jitsu, Pedro Fernandes, Stefanie tem uma vida financeira estabilizada, mas agora quer ajudar as meninas que estão começando. “Iniciei um curso de psicanálise, quero trabalhar meu autoconhecimento para poder dar apoio às demais.”

Mesmo com uma moda mais inclusiva, e com a probabilidade de a carreira se estender até os 40 anos, Stefie garante que ter baixo autoestima não é incomum entre as modelos. “É muita pressão para a beleza a qualquer custo e é preciso que a profissão seja mais inclusiva, até mesmo para as suas profissionais.”

Comentários

Comentários