Com desemprego, aumenta venda de balas nos semáforos e ônibus


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Em quase todos os lugares de Jundiaí, seja nos ônibus, nos semáforos, nas entradas de estabelecimentos comerciais, tem alguém com uma plaquinha, uma caixinha, uma sacolinha, tentando recuperar o que a pandemia lhes tirou, a renda.

Vendendo balas, amendoins, chocolates, panos de prato, sacos de lixo, as pessoas que não conseguem um emprego ou o perderam nesta crise causada pela pandemia tentam sobreviver.

Um destes é Thiago Martins Duarte, de 24 anos, natural de Uberlândia, Minas Gerais. Ele se mudou para Jundiaí com a esposa e o filho há cerca de nove meses. "Vim pra procurar emprego, mas não consegui por causa da pandemia. Consigo tirar o sustento vendendo as balas nos ônibus, está difícil mas consigo. Tem muitas pessoas vendendo nos ônibus, a falta de emprego está difícil. Vendo todo dia, de segunda a segunda, começo 6h da manhã e vou até de noite."

Ele conta que atualmente mora na Vila Hortolândia e procura emprego enquanto vende as balas no transporte público da cidade. "Vim pra cá por causa da pandemia mesmo, em Minas Gerais estava complicado. Enquanto vendo as balas, também procuro emprego, mas não consegui nada ainda porque perdi meus documentos. Mas já pedi e meu irmão vai me mandar os documentos."

SAGA

Luís Felipe Araújo, de 25 anos, é de Francisco Morato, mas diariamente vende balas e amendoins no cruzamento da avenida Luiz Latorre com a Nove de Julho. "A gente vem de Francisco Morato todo dia, vai fazer quase um ano. Aqui tem menos criminalidade, tem mais gente que colabora, então é mais tranquilo para trabalhar."

Ele diz que o desemprego está complicado e prefere vender as balas a escolher outras alternativas. "Do tempo que eu estou aqui, tem mais gente a cada dia. Está faltando emprego para todo mundo e, para não fazer coisa errada, a gente vem trabalhar, fazer o que é certo. Consigo tirar sustento, mas às vezes vem a fiscalização, manda a gente sair andando, já levaram bolsa nossa, pertences, aí a gente perde."

Junto de Luís, Hugo Jesus Fernandes dos Santos, de 25 anos, também embarca diariamente de Francisco Morato a Jundiaí. "Muitos estão perdendo emprego, tem empresa fechando, então tem muita gente que vem para o semáforo. O que eu ganho dá para ajudar em casa e é melhor do que ficar parado e pensando besteira. O pessoal sempre ajuda também com cesta básica, alimentação, perguntam se a gente já comeu."

Hugo fala que outros caminhos seriam mais fáceis, mas não compensam. "Está difícil para arrumar emprego, mas é melhor vender bala aqui e correr com as balas dos guardas do que fazer coisa errada e ter correr de policial que pode te dar um tiro nas costas."

PRECARIZAÇÃO

Economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, acredita que faltam políticas voltadas à retomada e ao suporte de pessoas afetadas pela crise. "Existe um grande vazio de políticas de reintegração dessas pessoas. Os governantes acham que, quando a vacinação cobrir a maioria da população, as coisas voltarão ao normal. Precisamos de um programa de reintegração igual os feitos depois de guerras, porque a pandemia foi a pior coisa que aconteceu no Brasil desde o século 19."

O economista explica que, mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil positivo, estamos em uma economia precária, com transferência de empregos formais, como as perdas do Comércio em Jundiaí, para informais, como alguns de Serviços, como motoboys e motoristas de aplicativo.

"O dados do PIB têm que ser relativizados, porque a produção brasileira voltou ao nível pré-pandemia. É como se tivéssemos mergulhado e voltado à tona agora. Tivemos um longo período de empregos perdidos e empresas fechadas. Temos precarização da atividade econômica, pessoas que deixaram até de ter salário, empresários que deixaram de ter lucro", diz ele.

Robson diz, porém, que a perspectiva de retomada é positiva. "O PIB melhora antes da melhora do emprego, isso é normal. O avanço da vacinação é importante para que a economia evolua e não volte a cair. A tendência agora é um crescimento mais robusto no segundo semestre."

 

Credito: JORNAL DE JUNDIAI / Descrição: THIAGO

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