Uma noite de São João


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Nossa alma se encanta com o mês de junho. As festas juninas trazem a beleza da simplicidade da vida, que se perdeu pela indiferente ganância dos tempos modernos. Impressionante como as crianças se empolgam com as festinhas em suas escolas. Pessoas fazem fila para conseguir o pão de Santo Antônio nas igrejas. Onde estiver uma fogueira acesa, lá estará uma multidão de gente. Vizinhos se reúnem em ruas públicas. Clubes incendeiam os fins de semana com danças típicas.

Quem trouxe a festa junina para o Brasil foram os portugueses, no período colonial. Em Portugal, a festa junina tinha o nome de Festa Joanina - possivelmente pelo fato de acontecer em junho ou talvez por causa de São João, que é o principal santo da comemoração.

Mas como é gostoso reviver estas festas. As comidas, as danças típicas, os balões, a fogueira, as brincadeiras e as roupas. As comidas.

Ah, as comidas! Pipoca, paçoca, pé de moleque, canjica, cachorro quente, pamonha, curau, bolo de milho, arroz doe, pinhão, cuscuz e tapioca.

E as bebidas! O saboroso quentão e delicioso vinho quente. O arraial de nossas vidas. A quadrilha junina é, todavia, a dança típica da festa. Ela tem origem nas danças de salão na França e consiste numa bailada de casais caracterizados com vestimenta tipicamente caipira. Brincadeiras como a cadeia, pau de sebo, pescaria, correio-elegante, saltar a fogueira, argola, entre outros, não podem faltar.

Estão incluídas também as simpatias - que acabam carregando um pouco do tom de divertimento. Uma coreografia chamada de casamento caipira é feita em homenagem a Santo Antônio, o santo casamenteiro. A fogueira também faz parte do cenário da festa. De origem pagã, ela simboliza a proteção contra os maus espíritos.

Todos esses elementos ajudam a compor o ambiente da festa, chamado de arraial. Ali é onde ficam as barraquinhas de comidas e bebidas típicas decoradas com bandeirolas juninas. Brincadeiras como a cadeia, pau de sebo, pescaria, correio-elegante, saltar a fogueira, argola, entre outros, não podem faltar.

Estão incluídas também as simpatias - que acabam carregando um pouco do tom de divertimento. A saudade é porta aberta às doces lembranças. Quando fui diretor do Clube Jundiaiense, o Baile Junino fazia parte de seu calendário de eventos. O Clube, nestes tempos, oferecia aos seus associados bebidas e comidas típicas, graciosamente. Tal era o grande número de pessoas presentes, que a festa ficou conhecida como o "Baile da Fome". Jamais poderei esquecer-me destas festas.

Foi numa destas noites festivas, no clarão da fogueira que tentava alcançar o céu estrelado, que recebi um perfumado "correio elegante". Meus entusiasmados sentimentos buscavam seus olhos plenos de alegria. O encantamento desnudou meus anseios. Os beijos tímidos bem sabes que naquela busca, meu desejo se igualava ao seu, por este arrebatado amor. Nunca me esquecerei daquele São João. O nosso amor nasceu. Estavas tão linda e como dizia a velha canção: "Só olhavas para mim". Tomei a liberdade e caneta. Escrevi estas palavras para marcar o quanto ainda me envolve a chama da fogueira de São João em nosso viver. Chama que ressuscita o milagre de luz em minha vida.

GUARACI ALVARENGA é advogado.

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