Membros das Forças Armadas estão se planejando para fazer uma contagem paralela dos votos na eleição de outubro deste ano. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Esta medida já estava sendo estimulada pelo presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), que falou em uma contagem paralela e costuma por em dúvida a capacidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de evitar possíveis fraudes. Mesmo sem nenhum caso comprovado até hoje.
Segundo a reportagem do Estadão, integrantes do Ministério da Defesa admitiram que têm pensado na estratégia de usar boletins de urna (BUs) depois do encerramento da votação para fazer uma segunda contagem.
Os BUs são impressos pelas urnas eletrônicas ao fim da votação e mostram o número de votos que cada candidato recebeu naquela sessão eleitoral, além dos votos brancos e nulos. Os dados são os mesmos computados pelas urnas e enviados ao TSE. Outra possibilidade estudada pelos militares seria conseguir acesso aos dados repassados pelos tribunais regionais ao TSE.
Ainda de acordo com o jornal, militares que trabalham no Ministério da Defesa e acompanham o processo de "fiscalização das urnas" dizem que o TSE não foi informado sobre a ideia de fazer a contagem paralela. Ao Estadão, um general explicou que a oficialização do processo depende de uma decisão política do ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
FISCALIZAÇÃO
Ontem (8), o ministro da Defesa disse que indicará um nome para substituir o coronel Ricardo Sant'Anna, que foi excluído do grupo de militares que participa da fiscalização das eleições pelo presidente do TSE, Edson Fachin.
O substituto será escolhido entre membros do Exército, diz Nogueira, já que Sant'Anna faz parte dessa Força.
Sobre a decisão de Fachin, o ministro disse considerar "melhor não comentar".
Em ofício enviado ontem a Nogueira, Fachin afirma que Sant'Anna divulgou nas redes sociais "informações falsas a fim de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro".
"Conforme apuração da imprensa, mensagens compartilhadas pelo coronel foram rotuladas como falsas e se prestaram a fazer militância contra as mesmas urnas eletrônicas que, na qualidade de técnico, este solicitou credenciamento junto ao TSE para fiscalizar", escreveu o presidente do tribunal.
O ofício também é assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, que assume o comando do TSE no próximo dia 16.
As mensagens de Sant'Anna contra as urnas foram divulgadas pelo portal Metrópoles. Segundo a publicação, um vídeo divulgado pelo militar comparava o voto à compra de bilhete de loteria.
No documento, Fachin comunicou o ministro da Defesa sobre o descredenciamento do militar da equipe de fiscalização das eleições das Forças Armadas.
O presidente do tribunal também afirmou que outro nome "habilitado para as funções" poderia ser indicado para integrar o grupo de fiscalização.
Com Agências