OPINIÃO

Nem sempre está tudo bem


| Tempo de leitura: 2 min

Pedir ajuda não nos torna menos fortes 


Olá, tudo bem? Aprendemos a iniciar nossas conversas fazendo essa pergunta e sempre esperamos que a resposta seja positiva. É como se esse fosse o padrão: tudo estar sempre bem. Mas, na realidade da vida, sabemos que nem sempre é assim.

E então, essa simples pergunta se torna uma das mais difíceis de responder quando, por dentro, sabemos que não está. Afinal, ao admitir isso, estaremos saindo do esperado pelo senso comum.

Fomos ensinados a esconder o que sentimos, a seguir em frente mesmo machucados e, até diante do sofrimento, buscamos parecer fortes.

A doença chegou. A perda aconteceu. Um sonho não deu certo. Uma resposta não veio. E, ainda assim, muitas vezes sentimos que precisamos responder: “Está tudo bem”.

Mas nem sempre está. E, justamente quando parece haver mais espaço para falarmos sobre nossas vulnerabilidades e dores, reconhecer e assumir o que estamos vivendo também se torna uma forma de coragem.

Talvez por isso uma passagem do Evangelho de João sempre me faça refletir. Ao contar a história da morte de Lázaro, encontramos três pessoas enfrentando a mesma dor de maneiras diferentes.

Marta fala. Maria chora. E Jesus chora.

Há algo profundamente humano nessa cena. Jesus sabia que, pouco depois, realizaria o milagre da ressurreição de Lázaro. Ele sabia que aquela história não terminaria naquele túmulo. Mesmo assim, diante da dor de Maria e daqueles que estavam ali, Ele se permitiu chorar.

Isso nos ensina algo importante: saber que a dor vai passar não significa que precisamos fingir que ela não dói.

Chorar não é fraqueza. Reconhecer que estamos cansados não é fracasso. Pedir ajuda não nos torna menos fortes.

Somos humanos. E há momentos em que precisamos parar de tentar parecer bem e simplesmente reconhecer: “Hoje não está tudo bem”.

Talvez tenhamos aprendido tanto a buscar respostas que esquecemos a importância de simplesmente acolher aquilo que sentimos.

Nem toda dor precisa ser imediatamente explicada. Algumas precisam ser sentidas, respeitadas e atravessadas.

Até Jesus chorou.

E talvez exista força justamente nisso: ter coragem para reconhecer nossas lágrimas sem vergonha, sabendo que elas não são o fim da história.

Amanhã pode ser um novo dia. Mas hoje, se for preciso, permita-se chorar.

Paula Passos é pedagoga, pós-graduada em Educação Parental e MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas (em andamento).

Comentários

Comentários