Aos 60 e 82 anos, mãe e filha encontraram no caiaque uma forma diferente de praticar atividade física e aproveitar o contato com a natureza. Cristiane Bulizani Alves e Leonilda Facanali Bulizani participam do programa Sextou+, no Parque da Cidade, em Jundiaí, e procuram manter uma rotina semanal de remadas sempre que as condições climáticas e as vagas permitem.
Cristiane começou a praticar em fevereiro deste ano, enquanto Leonilda, então com 81 anos, entrou no programa uma ou duas semanas depois. A atividade surgiu de maneira inesperada. Cristiane foi convidada pela nora para conhecer um evento na sede do Velas do Japi e descobriu que havia uma iniciativa voltada para pessoas com mais de 60 anos.
A proposta chamou sua atenção justamente por reunir dois aspectos que procurava naquele momento: saúde física e bem-estar mental. Depois da primeira aula, o que era apenas uma experiência se transformou em uma nova atividade. “Depois que fiz a primeira aula, me apaixonei pelo esporte e sigo praticando”, conta.
Para Cristiane, a decisão de começar a remar também ganhou um significado especial após um período delicado. Em 2025, ela recebeu o diagnóstico de câncer de intestino e, depois do tratamento, decidiu procurar uma atividade que pudesse contribuir para uma nova fase da vida.
“O exercício físico que o caiaque promove, o contato com a natureza e a paisagem deslumbrante formaram esse equilíbrio que eu procurava”, afirma. A atividade passou a fazer parte de uma rotina que já contava com outros exercícios físicos, mas trouxe uma experiência diferente para mãe e filha.
Segundo Cristiane, o caiaque mudou principalmente a maneira como ela enxerga a prática esportiva. O silêncio, a tranquilidade da água e a possibilidade de estar em meio à natureza passaram a fazer parte da atividade.
“Sempre pratiquei atividades físicas, mas encontrei no caiaque o prazer do contato com a natureza, o silêncio, a paz e o equilíbrio. A atividade física não precisa ser uma rotina massacrante e sem graça”, diz.
A idade, que poderia representar uma dificuldade inicial, não impediu que as duas se adaptassem rapidamente aos caiaques. Cristiane conta que conseguiu remar com facilidade desde as primeiras aulas e se surpreendeu com a adaptação da mãe, que também não teve grandes dificuldades para aprender.
“Por incrível que pareça, foi muito tranquilo. Parecia que já remava há anos. Minha mãe, que estava com 81 anos, conseguiu com facilidade”, relata.
A rotina das duas depende da programação do Sextou+, que disponibiliza as vagas semanalmente de acordo com a quantidade de caiaques disponíveis. Quando há disponibilidade e o clima permite, mãe e filha procuram estar juntas na água.
Entre os momentos marcantes dos passeios, um episódio envolvendo Leonilda acabou virando motivo de risadas. Alguns caiaques possuem uma cadeira que permite apoiar melhor as costas, enquanto outros contam apenas com um encosto. Em determinado dia, a mãe trocou de equipamento e não conseguiu encontrar uma posição confortável.
Com dores nas costas, Leonilda encontrou uma solução inusitada: praticamente deitou no caiaque e continuou remando. A situação, que poderia ter sido apenas um contratempo, terminou como uma das histórias mais divertidas da dupla.
“Foi hilário. Rimos muito depois”, conta Cristiane.
Mais do que o exercício físico, porém, o que mantém as duas próximas da água é a experiência compartilhada. Para Cristiane, cada passeio proporciona uma nova oportunidade de contemplar o ambiente e reforça a ideia de que não existe idade determinada para descobrir uma nova atividade.
A experiência também mostra que o esporte pode assumir diferentes formas ao longo da vida. Para mãe e filha, remar no Parque da Cidade virou uma maneira de cuidar do corpo, manter a mente ativa e, principalmente, aproveitar juntas uma atividade que nenhuma das duas imaginava praticar antes.