SpaceX lança Starship com sucesso e abre caminho para voo orbital
A SpaceX realizou nesta sexta-feira (24) seu décimo terceiro voo integrado do veículo Starship, o segundo da terceira versão do foguete, que a Nasa espera usar para missões tripuladas à superfície da Lua. O resultado abre caminho para que o próximo voo seja destinado à órbita, embora ainda haja ajustes a fazer.
O lançamento aconteceu às 19h51 (de Brasília), a partir da plataforma instalada em Starbase, no Texas, nos Estados Unidos. O veículo fez a ascensão nominalmente, com os seus 33 motores do primeiro estágio ativos.
A primeira tentativa de lançar o veículo havia sido no dia 16 deste mês, mas acabou interrompida no exato momento da decolagem, de forma automática, por causa de quatro dos motores que não se acenderam. Ao investigar e recondicionar o foguete para voo, a SpaceX trocou seis desses motores e realizou um teste integrado antes de fazer nova tentativa.
A empresa de Elon Musk cogitou lançá-lo nesta quinta-feira (23), mas o tempo nublado impediria a inspeção visual do desempenho das telhas do escudo térmico durante a ascensão, o que levou ao adiamento para esta sexta-feira.
Após a ascensão, houve a separação dos estágios, e o primeiro estágio realizou as manobras requeridas para realizar um pouso suave no golfo do México. Já estava nos planos da SpaceX não recuperar esse estágio, mas sim confirmar o reacendimento adequado dos motores para o processo de pouso, já que esse foi um dos itens que não pôde ser ticado da lista no voo anterior.
O desempenho foi melhor desta vez, com as manobras de reentrada realizadas com sucesso, mas alguns dos 13 motores previstos para o pouso na queima final não se acenderam, e o impacto com a água foi numa velocidade superior à esperada. Isso provavelmente deve impedir uma tentativa de recuperação em solo já no próximo voo. Uma má notícia.
NO ESPAÇO
O segundo estágio então usou seus seis motores para se colocar na trajetória projetada, iniciando um voo até o outro lado do mundo, para um retorno sobre o oceano Índico. A exemplo de voos anteriores, este também foi feito em regime suborbital -ou seja, a velocidade final da ascensão foi um pouco mais baixa do que a necessária para atingir a órbita.
Durante o passeio pelo espaço, o Starship abriu a porta da área de carga e liberou no espaço 20 satélites V3 da constelação Starlink. Evidentemente, como eles estavam em uma trajetória suborbital, operaram por apenas alguns minutos até reentrarem na atmosfera da Terra. Sim, a SpaceX lançou 20 satélites funcionais para serem destruídos minutos depois, como um primeiro teste dessas novas versões no espaço. Nos poucos minutos disponíveis, eles atuaram como esperado, estabelecendo contato entre si e com o resto da constelação Starlink, inclusive por laser.
Além disso, o veículo realizou uma crítica reativação no espaço de um de seus motores -manobra requerida para futuros voos orbitais. O motor disparou por 14 segundos, conforme o previsto, em tese abrindo caminho para um futuro lançamento à órbita. Mas é apenas uma das tarefas que a SpaceX precisa cumprir antes que possa estar pronta para colaborar com a Nasa na missão Artemis 4, marcada para 2028 e destinada a levar astronautas à superfície lunar.
Antes disso, a empresa precisa demonstrar voo orbital, reabastecimento em órbita, teste integrado com a cápsula Orion (na missão Artemis 3) e um pouso lunar não tripulado. Além disso, a SpaceX espera dominar também a recuperação e o reúso do primeiro estágio, algo que já fazem com o foguete Falcon 9, além da ainda mais desafiadora recuperação do segundo estágio.
No voo desta sexta-feira, o segundo estágio mais uma vez sobreviveu intacto à reentrada atmosférica e se conduziu para um pouso suave no oceano Índico, pouco mais de uma hora após a decolagem, às 20h56 (de Brasília). O mais suave já feito -o veículo não explodiu após tombar, e ficou flutuando no mar.