NOVA PROPOSTA

Reforma da previdência pode afetar mais de 700 mil na RMJ

Por Redação |
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Jon Tyson / Unsplash
Quem chega hoje ao mercado de trabalho pode enfrentar revisões mais constantes na Previdência
Quem chega hoje ao mercado de trabalho pode enfrentar revisões mais constantes na Previdência

Em pleno 2026, apenas sete anos após a última Reforma da Previdência, há um debate sobre a necessidade de uma nova reforma. Essa nova reforma é defendida por especialistas de institutos como o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e, entre outras mudanças, pode alterar a idade mínima da aposentadoria até chegar aos 67 anos para ambos os sexos.

Considerando a população na Região Metropolitana de Jundiaí, mais de 700 mil pessoas devem ser impactadas por essa mudança na idade mínima para o recebimento do benefício, caso ela ocorra. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consolidados em dezembro de 2025 mostram que, na região, há 107,7 mil pessoas já aposentadas. Quem ainda não se aposentou e nem estará aposentado até uma possível nova reforma deve ser impactado pela mudança.

Aposentados pelo INSS na região
Cabreúva: 4.161
Campo Limpo Paulista: 9.067
Itupeva: 5.088
Jarinu: 3.325
Jundiaí: 71.269
Louveira: 3.958
Várzea Paulista: 10.842

Além da idade mínima, pode haver alterações na alíquota de contribuição de Microempreendedores Individuais (MEIs) e pagamento de adicional na aposentadoria para a mulher com filhos, como forma de compensar a idade mais alta, visto que mulheres tendem a ter salários mais baixos que homens e as que têm filhos tendem a ter menos tempo de contribuição. Na RMJ, por exemplo, segundo o Censo 2022, a renda média mensal de homens é de R$ 4.226,32, já a das mulheres é de 3.112,89. Há ainda a proposta de alteração na regra de reajuste do salário mínimo, que hoje tem alta acima da inflação, e o fim das aposentadorias especiais (incluindo a de militares) e de regras diferenciadas entre categorias.

Pressão da idade

No ano 2000, a população da RMJ era de 578.901 pessoas, das quais, 8,75% tinham 60 anos ou mais. No ano de 2010, a população total da RMJ passou a ser de 697.604 pessoas, das quais, 11,01% tinham 60 anos ou mais. Já no ano de 2022, em que o último Censo do IBGE foi produzido, os sete municípios da região de Jundiaí somavam 843.633 habitantes, dos quais, 16,11% tinham 60 anos ou mais. Em 20 anos, a porcentagem de idosos na RMJ quase dobrou. Segundo o IBGE, a taxa de crescimento anual da população da RMJ é de 1,58 %, mas a população com 60 anos ou mais cresce mais rápido.

O próximo Censo do IBGE deve acontecer em 2030 ou 2032 e pode revelar uma mudança significativa na estrutura etária do país. Segundo estudos nacionais, em 2030 haverá mais idosos acima de 60 anos do que crianças e jovens até 14 anos no Brasil, o que justificaria a nova Reforma da Previdência, afinal, além do envelhecimento, não há reposição da população como antes.

Segundo especialistas, a reforma tem de começar a ser debatida já no pós-eleição, em 2027. Mas o debate não pode se alongar muito, pois, até o fim da década, será inevitável uma nova mudança no regime de previdência social no Brasil. O déficit do Regime Geral de Previdência Social já supera a marca de R$ 320 bilhões, representando cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Afastamentos também entram na conta

E a previdência sofre pressão não apenas pelo envelhecimento da população junto à não reposição populacional. Os afastamentos por doenças e acidentes de trabalho se avolumam ano a ano. O último ano que dispõe de dados do tipo, compilados pelo Ministério da Previdência Social, é 2024.

Naquele ano, em comparação com 2023, houve aumento de 10,37% no número de afastamentos de trabalho. Foram 6.517 registros em 2023, com Jundiaí representando quase de dois terços do total, ante a 7.193 registros em 2024, com a alíquota de Jundiaí sendo a predominante ainda. Além dos acidentes típicos e de trajeto, há as doenças do trabalho e, do pós-pandemia para cá, os afastamentos vêm aumentando, com uma parte considerável deles devido à saúde mental.

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