DESAFIO

Jundiaiense supera 12 km em Noronha

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Seu recorde anterior era de 10 quilômetros. Para a prova em Noronha, foram cerca de seis meses de preparação física e mental
Seu recorde anterior era de 10 quilômetros. Para a prova em Noronha, foram cerca de seis meses de preparação física e mental

A educadora física e colunista do Jornal de Jundiaí, Liciana Rossi, de 47 anos, viveu recentemente uma das experiências mais marcantes de sua trajetória esportiva. Integrante de um grupo de 55 nadadores, ela completou uma travessia de aproximadamente 12 quilômetros em mar aberto, em Fernando de Noronha, no litoral pernambucano, considerada uma das principais provas de resistência da modalidade no país.

A relação de Liciana com a natação começou cedo. Aos cinco anos, iniciou as atividades no Clube Jundiaiense sob orientação do técnico Ernesto Staeheli. Anos mais tarde, chegou a tentar carreira no polo aquático e ingressou no curso de Educação Física inspirada pelo esporte. Um acidente de carro, porém, interrompeu esse caminho e a levou a descobrir uma nova vocação nas maratonas aquáticas.

O convite para participar da travessia em Noronha partiu de um amigo de longa data, João Paulo Mazzei, filho da ex-nadadora Elza Marina Mazzei, nome histórico da modalidade em Jundiaí. Apaixonada pela ilha, Liciana aceitou o desafio imediatamente e iniciou uma preparação específica para enfrentar a maior distância que já havia nadado na vida.

Seu recorde anterior era de 10 quilômetros. Para a prova em Noronha, foram cerca de seis meses de preparação física e mental. A atleta intensificou os treinamentos na água, realizou musculação, treinamento funcional, eletroestimulação e exercícios respiratórios, sempre com foco em resistência, eficiência técnica e prevenção de lesões.

Mais do que o esforço físico, a preparação psicológica ganhou papel fundamental. A nadadora sabia que enfrentaria uma região conhecida pela rica biodiversidade marinha e pela presença de tubarões. Para lidar com essa possibilidade, estudou o comportamento dos animais e trabalhou o controle emocional durante os treinos.

Preparação física e mental

Segundo Liciana, o maior desafio não foi a distância, mas a necessidade de manter a mente equilibrada diante das condições naturais do percurso. “Eu imaginava que estaria na casa deles. O mar tem muita vida e eu precisava respeitar isso. Minha preparação mental foi tão importante quanto a física”, relatou.

Durante a travessia, ela chegou a avistar um tubarão. A experiência, porém, ocorreu de forma tranquila. “Foi algo muito natural. Eu sabia que poderia acontecer e estava preparada para isso. Vi o animal e segui nadando normalmente”, contou.

Outro obstáculo surgiu com problemas de logística durante o evento. Em determinado momento, o barco de apoio não conseguiu acompanhar parte do grupo, comprometendo a hidratação dos atletas que estavam à frente. Liciana precisou dividir os líquidos que carregava com outras participantes e seguir a prova praticamente sem reposição adequada de água.

As dificuldades fizeram com que algumas nadadoras abandonassem o desafio. Liciana, entretanto, manteve o ritmo ao lado de uma triatleta de João Pessoa. Juntas, percorreram grande parte do trajeto observando a paisagem e a vida marinha. Em outro ponto do percurso, uma nova paralisação determinada pela organização quase encerrou a travessia antes da chegada.

Apesar dos contratempos, a jundiaiense seguiu adiante. O percurso, realizado entre a Ilha da Rata e a Ponta da Sapata, proporcionou momentos de contemplação que ela define como únicos. “Foi uma experiência quase meditativa. Em vários momentos eu estava apenas presente, observando o mar, os peixes e a paisagem. Era impossível não se emocionar”, afirmou.

Liciana concluiu os 12 quilômetros em 3h46 de nado efetivo. Considerando as paradas obrigatórias e os períodos de espera determinados pela organização, permaneceu cerca de sete horas na água. Ao final, afirmou ter conquistado muito mais do que uma travessia. “Voltei para casa com uma lembrança que vou carregar para sempre. Foi um desafio esportivo, mas também uma experiência de vida.”

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