A proximidade da Copa do Mundo já começa a mudar a paisagem de ruas e bairros da região. Em diferentes pontos de Jundiaí e Várzea Paulista, moradores voltaram a se reunir para pintar o asfalto, decorar espaços públicos e manter viva uma das tradições mais marcantes do futebol brasileiro.
Na Rua Cizídio Soares dos Santos, em Várzea Paulista, o responsável pela mobilização é Edson “Mancha”, de 49 anos. Artista e apaixonado por futebol, ele lidera desde 2010 um projeto que transforma a rua em um grande cenário temático durante os Mundiais.
A iniciativa começou na Copa da África do Sul, em 2010, e atravessou as edições disputadas no Brasil, na Rússia e no Catar. Ao longo dos anos, o projeto cresceu e passou a envolver cada vez mais moradores da comunidade.
Na última Copa, porém, uma situação chamou a atenção de Edson. Ele percebeu que muitas crianças acompanhavam as pinturas, mas raramente participavam diretamente da atividade. A partir dessa observação, decidiu criar um espaço exclusivo para elas.
A ideia deu tão certo que cerca de 70 crianças participaram da ação em 2022. Para este ano, a mobilização ganhou proporções ainda maiores. Com o apoio de patrocinadores e colaboradores, foram distribuídas 120 camisetas, kits de chocolates, lanches e brindes para os participantes.
Além das pinturas, a programação contou com brinquedos infláveis e atividades recreativas. Enquanto ajudavam a colorir a rua, as crianças também puderam brincar e aproveitar um dia de integração com os vizinhos. Segundo Edson, o resultado superou todas as expectativas.
Artista de letreiros, pinturas decorativas e grafite, ele utilizou sua experiência para criar os desenhos que estampam a rua. Um dos destaques da decoração é uma pintura representando Jesus ao lado das crianças que participaram do projeto, simbolizando a união da comunidade.
A tradição também está presente em Jundiaí. No bairro São Camilo, moradores se mobilizaram para transformar uma quadra esportiva em um espaço temático para acompanhar os jogos da Copa. A iniciativa surgiu a partir da conversa entre amigos da comunidade que queriam criar um ambiente mais acolhedor para assistir às partidas.
Entre os organizadores está Mário Eugênio Silva de Azevedo. Segundo ele, o objetivo foi dar uma nova identidade visual ao local e incentivar a participação dos moradores. O trabalho levou aproximadamente uma semana para ser concluído.
Cerca de cinco pessoas participaram diretamente das pinturas, além de crianças e vizinhos que contribuíram ao longo do processo. Um pintor da comunidade também ajudou na execução dos desenhos, colaborando para que a quadra ganhasse cores e símbolos ligados ao futebol.
Mais do que uma preparação para os jogos, as pinturas representam um momento de convivência entre gerações. Em meio à correria do dia a dia, iniciativas como essas mostram que a Copa do Mundo continua sendo capaz de reunir famílias, amigos e vizinhos em torno de uma paixão comum: o futebol.
