A primeira edição da São Paulo Innovation Week foi finalizada nesta sexta-feira (15). Durante o evento, o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone, defendeu a centralidade do setor industrial como o principal motor para a dinamização da economia brasileira.
Para o executivo, a chave do crescimento sustentável reside na integração estratégica entre os pilares produtivos: indústria, comércio, agronegócio e serviços. "Na indústria, nós temos a maior capacidade para dinamizar a economia", afirmou Cervone durante o painel "São Paulo Cidade dos Investimentos". O debate contou com a participação do presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), de Alfredo Cotait, e mediação da presidente da São Paulo Negócios, de Alessandra Andrade.
Efeito multiplicador
Um dos pontos centrais da fala de Cervone foi o impacto em cadeia que o setor industrial exerce sobre os demais segmentos. Citando dados de desempenho setorial, o presidente do Ciesp destacou que a indústria possui o maior fator de multiplicação do mercado nacional.
"A cada R$ 1 de faturamento na indústria, são gerados R$ 2,60 nos demais setores. Não tem nenhum setor que multiplique tanto quanto a indústria", reiterou.
Além do impacto financeiro direto, a produtividade industrial mantém-se significativamente acima da média da economia nacional. Segundo os dados apresentados, o setor é o principal investidor em modernização tecnológica no país. Atualmente, a indústria responde por 69% dos investimentos em inovação e por 67% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil.
Ecossistema de inovação
A fala ocorreu em um cenário emblemático. A São Paulo Innovation Week tem sido considerada a maior feira de tecnologia da capital paulista, reunindo um público de 90 mil visitantes ao longo de três dias.
O evento serve de vitrine para 1.000 startups e conta com a participação de 1.500 palestrantes, reforçando o papel de São Paulo como um polo de atração de capital e fomento à tecnologia.
Para Cervone, os números de investimento em P&D reforçam que a indústria não opera de forma isolada, mas sim como o núcleo de um ecossistema que impulsiona a competitividade global do Estado e do país. A integração com os outros setores, segundo ele, é o que garante que essa inovação se transforme em desenvolvimento social e econômico efetivo.