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Quase 10% de Jundiaí faz acompanhamento de hipertensão pelo SUS

Por Redação |
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O acompanhamento constante da pressão, com aferições periódicas, é fundamental para o controle de agravantes
O acompanhamento constante da pressão, com aferições periódicas, é fundamental para o controle de agravantes

Neste domingo (26), o Brasil celebra o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Por questões relacionadas à alimentação e ao estilo de vida dos dias de hoje, a doença crônica se torna cada vez mais comum, mas também é a principal causa de mortes no país, visto que pode levar a quadros de AVC, infarto e outras condições cardiovasculares.

Em Jundiaí, de acordo com a prefeitura, por meio da Secretaria de Promoção da Saúde, atualmente, o município registra 43.954 pacientes em acompanhamento de hipertensão na rede pública de saúde do município. O número representa quase 10% da população da cidade, estimada em 463.039 pessoas pelo IBGE. Ou seja, em média, um a cada dez jundiaienses faz tratamento contra a pressão alta pelo SUS.

O cuidado, segundo a prefeitura, é realizado, prioritariamente, na rede de Atenção Básica, com acompanhamento contínuo pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e da Estratégia Saúde da Família. Os pacientes são monitorados regularmente, com aferição da pressão arterial, consultas periódicas e orientação quanto à adoção de hábitos de vida saudáveis. Quando necessário, são prescritos medicamentos, disponibilizados gratuitamente pela rede pública, além da solicitação de exames para avaliação clínica e prevenção de complicações.

Risco silencioso

A pressão alta é silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, mas pode levar a complicações severas. De acordo com dados da Transparência do Registro Civil, no Brasil, de 676.478 óbitos registrados em 2024 (último ano com dados disponíveis), 86.024 aconteceram em decorrência de acidente vascular cerebral (AVC), 78.493 foram causados por infarto e 85.522 óbitos tiveram causas cardiovasculares inespecíficas. Essas causas relacionadas a complicações cardiovasculares representam 37% do total de mortes.

Já segundo dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (Datasus), o Brasil registrou 156.981 mortes por infarto e 130.963 mil por AVC. Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.109 óbitos por insuficiência cardíaca. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário preocupante. Total de 352.053 óbitos por infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

Na maioria dos casos, a pressão alta não apresenta sintomas. Segundo o médico intensivista e membro da ONA, Fábio Basílio, a hipertensão arterial, aos poucos, compromete órgãos. “Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”, alerta.

O especialista ressalta, no entanto, que a pressão alta é considerada um fator de risco modificável. “Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso.”

Para o médico, a identificação precoce é uma das estratégias mais importantes para prevenir eventos cardiovasculares graves e reduzir mortes evitáveis. “Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.”

As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas (Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia), reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já são associadas ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em indivíduos aparentemente saudáveis. “A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de hábitos e controle dos fatores de risco”, explica Fábio Basílio.

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