NAS REDES SOCIAIS

Campanhas políticas enfrentam desafio da linguagem

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Redes sociais são fundamentais, mas forma de passar a mensagem deve ser estudada
Redes sociais são fundamentais, mas forma de passar a mensagem deve ser estudada

O avanço do uso das redes sociais transformou a forma de fazer campanha política no Brasil, impondo novos desafios a candidatos e equipes de comunicação, que precisam demarcar território nas plataformas para propagar a mensagem em locais de difícil alcance. A grande dúvida é como fazer. Enquanto muitos apostam em uma linguagem mais séria e objetiva, outros apostam no humor e entram na onda das “trends” e “dancinhas” para tentar cativar o público. Na disputa que se aproxima, estratégias digitais não faltam, mas segundo especialistas, o ideal é trabalhar com um conteúdo de qualidade, com foco em propostas e posicionamentos mais consistentes.

Para a jornalista e consultora em comunicação Rosangela Portela, houve uma mudança significativa na forma como o público consome informação. “Nas mídias sociais está tudo muito raso e as pessoas estão percebendo que muito do que é colocado não tem respaldo efetivo”, diz. Dessa forma, ela entende que o ideal é voltar para as origens da comunicação. “A aposta deve ser em conteúdos com profundidade. O político deve mostrar trabalho, mostrar que é confiável, que fará o melhor para o povo”, avalia. “Também é importante informar como fará”, completa.

A especialista também destaca a necessidade de segmentação da comunicação e uso estratégico das plataformas. “Não adianta falar com todo mundo da mesma forma. É preciso trabalhar linguagens diferentes para públicos diferentes, sem perder a essência da proposta”, explica. Rosangela avalia também que, embora memes e tendências garantam visibilidade, não necessariamente se traduzem em votos. “Dá visualização, mas não vende o produto. O meme não se sustenta”, afirma. “O eleitor de Jundiaí, por exemplo, é conservador. Se vier com dancinha vai ser reprovado”, opina.

Apesar disso, Rosangela aponta uma tendência que pode ser bastante efetiva: a aposta na “gamificação”. “Ela é atrativa, pois é lúdica. As pessoas estão tão atarefadas no dia a dia, que a alma pede alegria com verdade, e o jogo traz isso. Além disso, é um desafio, algo que as pessoas gostam, além de passar uma mensagem subliminar que fica na mente”, ressalta.

O cientista social André Ramos aponta que o principal desafio está na ruptura de linguagem entre gerações. “O mundo digital fragmenta a comunicação em diferentes ‘dialetos’. O que é informação para um grupo pode ser ruído para outro”, observa, destacando a dificuldade de políticos tradicionais em dialogar com públicos mais jovens sem parecerem artificiais.

Segundo ele, a eficácia de estratégias como dancinhas depende diretamente da autenticidade do candidato. “Se fizer parte da trajetória, pode funcionar. Caso contrário, o risco de soar oportunista é alto”, afirma. Além disso, ressalta que diferentes perfis de eleitores reagem de formas distintas: enquanto jovens tendem a se identificar com conteúdos informais, públicos mais conservadores podem rejeitar esse tipo de abordagem. “No fim das contas, a fronteira entre o "ridículo" e o "genial" na política é determinada pelo resultado. Se a estratégia funciona para engajar a base desejada, o julgamento estético ou científico torna-se secundário perante a eficácia da comunicação”, finaliza.

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