Encerramos 2025 e iniciamos 2026 em um momento em que avaliar avanços, reconhecer limites e projetar o futuro da educação brasileira se torna indispensável. Entre iniciativas bem-intencionadas e progressos pontuais, o ano passado expôs com nitidez antigas fragilidades e novas pressões sobre o sistema educacional. Embora tenhamos avançado em debates sobre acesso, inclusão e diversidade, faltaram encaminhamentos efetivos para resolver problemas estruturais que há décadas nos acompanham.
Tornou-se ainda mais evidente a urgência de enfrentar desigualdades persistentes, repensar a formação docente, adaptar o sistema às transformações tecnológicas e retomar, com seriedade, o compromisso com a qualidade da aprendizagem. Em 2025, indicadores essenciais voltaram a preocupar: metas fundamentais ficaram estagnadas ou ameaçadas, e os resultados de aprendizagem sofreram retrocessos.
O Plano Nacional de Educação sintetiza bem essa trajetória irregular. Das 20 metas estabelecidas para a década – 2014–2024 – , apenas duas foram efetivamente cumpridas. Seguimos enfrentando queda nos índices de alfabetização, evasão persistente no ensino médio, infraestrutura insuficiente e desigualdades regionais profundas que comprometem o direito de milhões de crianças a uma educação de qualidade.
O grande entrave continua sendo a ausência de uma política educacional de Estado — contínua, articulada e estruturada — capaz de superar o ciclo de ações pontuais que, embora necessárias, não atacam as raízes do problema.
O que esperar, então, de 2026? É provável que a agenda permaneça fragmentada, com o debate público concentrado em temas urgentes, mas recorrentes: educação inclusiva, diversidade racial, combate à discriminação, permanência estudantil. Em ano eleitoral, programas de incentivo social ganharão espaço, mas dificilmente virão acompanhados da profundidade necessária.
Entretanto, há uma pauta que deve ganhar força: o impacto da Inteligência Artificial. Da gestão escolar às práticas de sala de aula, o país será impelido a discutir marcos regulatórios, ética e privacidade de dados, além do potencial da IA para apoiar processos de ensino e aprendizagem. Ao mesmo tempo, crescerá a preocupação com riscos e desigualdades tecnológicas.
2026 começa com velhas questões ainda em aberto e novos desafios se impondo. Se quisermos, enfim, romper o ciclo de estagnação, será necessário transformar intenções em políticas duradouras, capazes de unir equidade, inovação e qualidade. O futuro da educação brasileira depende menos de anúncios e mais de decisões efetivas — corajosas, consistentes e comprometidas com as próximas gerações.
Francisco Carbonari é ex-secretário de Educação de Jundiaí