A indústria paulista, pilar da produção e inovação no Brasil, vive uma transformação profunda em suas rotinas operacionais e administrativas. O início de 2026 marca o "ensaio geral" para o novo modelo tributário, período de aprendizado essencial que precede a virada definitiva de chave em 2027. Como liderança de entidades que representam o setor, vejo com atenção a necessidade de não subestimarmos a complexidade desta transição. O momento exige tirar o planejamento do papel e levá-lo à prática dos departamentos de tributação, compras e contas. Não podemos permitir que o cotidiano atropele a estratégia: a hora de organizar a casa é agora.
A introdução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) em caráter demonstrativo nas notas fiscais não é mera formalidade; é o teste de estresse para a nova plataforma de gestão. A CBS, de gestão federal, substituirá o PIS, a Cofins e, em muitos casos, o IPI. Já o IBS, gerido por estados e municípios, substituirá o ICMS e o ISS. Para os gestores de suprimentos, o desafio é entender como a nova lógica de créditos financeiros impactará o custo real de cada insumo.
O fim da cumulatividade é uma conquista histórica, mas sua eficácia depende da sincronia absoluta entre os sistemas da empresa e o novo ecossistema do governo. Se a indústria não revisar seus parâmetros de faturamento agora, corre o risco de sofrer perdas financeiras em 2027 por falhas na apropriação de créditos vitais ao fluxo de caixa.
É fundamental que as lideranças não aguardem a regulamentação final para iniciar o treinamento de suas equipes. O histórico brasileiro mostra que prazos de adaptação costumam ser exíguos perante a complexidade das nossas cadeias produtivas. A Receita Federal já processa milhões de documentos nesse novo formato, evidenciando que a infraestrutura tecnológica avança rápido. Cabe a nós garantir que nossos softwares de gestão e nosso capital humano estejam prontos.
Usar este período para sanar dúvidas e realizar simulações garantirá a segurança jurídica para operar com tranquilidade. Mais do que conformidade, devemos encarar este momento com espírito de renovação. Estamos sepultando um modelo arcaico para dar lugar a um sistema que privilegia a transparência. Esta reforma, embora não seja a ideal, é uma vitória da racionalidade econômica e um marco que libertará energias criativas do setor. Ao nos organizarmos com antecedência, não apenas evitamos erros, mas poderemos focar na produção industrial, inovação e crescimento. Assim esperamos!
Vandermir Francesconi Júnior 2º Vice-presidente do CIESP e Diretor da FIESP