Desde que foi iniciada, a gestão da demanda de água no período noturno, determinada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), em parceria com a SP Águas e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), resultou na economia de 57 bilhões de litros de água dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana, segundo dados da Sabesp. O volume corresponde ao acumulado entre 28 de agosto e 16 de dezembro, 111 dias.
Para se ter uma ideia do que isso significa, a quantidade de água que deixou de sair das represas é suficiente para abastecer aproximadamente 10 milhões de pessoas por 30 dias. É possível dizer também que esse volume economizado de água equivale à soma da capacidade total dos sistemas de São Lourenço, Cotia e Rio Claro, que fazem parte do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Diariamente, significa uma economia de 1,2 milhão de caixas d’água de 500 litros.
A medida foi tomada com objetivo de diminuir as perdas causadas por vazamentos de noite, período em que a pressão nos canos era maior em função da queda no consumo. Entre os dias 27 de agosto e 21 de setembro, a gestão da demanda noturna ocorreu por oito horas, começando às 21h e encerrando às 5h. A partir de 22 de setembro, o horário foi ampliado em duas horas a mais, com início às 19h e término às 5h. De acordo com a Sabesp, as casas que contam com caixas d’água tendem a sentir menos os efeitos da queda de pressão nos canos.
“O uso consciente de água deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez severa. A ação de cada um tem impacto direto na preservação do nível dos mananciais”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Gestão hídrica
A Grande São Paulo passou a contar em 2025 com um modelo inédito e mais moderno de acompanhamento e gestão integrada dos recursos hídricos, com o objetivo de proteger reservatórios e mananciais do SIM e garantir o abastecimento da população. A metodologia do Governo do Estado estabelece 7 faixas de atuação de acordo com os níveis de reservação nos períodos de chuva e de estiagem.
A metodologia permite o planejamento de ações a partir de projeções que consideram patamares de segurança para reservação no SIM, afluências, consumo e volume de chuvas, monitorados permanentemente pela SP Águas de modo a garantir a atualidade das projeções caso as variáveis se alterem.
São definidas faixas de atuação sobre uma curva de projeção de 12 meses e o objetivo é que as medidas previstas em cada faixa sejam aplicadas sempre que necessário durante todo o ano, visando a estabilidade dos reservatórios.
As 7 faixas de atuação representam etapas graduais de criticidade e orientam quais medidas de contingências serão adotadas em cada cenário. Para assegurar previsibilidade, as restrições só acontecem após sete dias consecutivos dos índices em uma mesma faixa, com relaxamento após 14 dias consecutivos de retorno ao cenário imediatamente mais brando.
Nas faixas de 1 a 3, o foco é em prevenção, consumo racional de água e combate a perdas na distribuição. As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA) e a gestão de demanda noturna de 8 horas, respectivamente. A faixa 3, onde São Paulo se encontra atualmente, prevê gestão de demanda noturna de 10 horas por dia e intensificação de campanhas de conscientização.
Já nas faixas 4, 5 e 6, os cenários são de contingência controlada, com períodos ampliados de redução da pressão na rede, por 12, 14 e 16 horas. Por fim, na faixa 7, o cenário mais grave inclui o rodízio de abastecimento entre regiões, com obrigação de fornecimento de caminhões-pipa para apoio a serviços essenciais.
O aumento de 7º C na temperatura média nos últimos dias causou um aumento de 60% no consumo de água em várias regiões do Estado, de acordo com a Sabesp, por isso o Governo de São Paulo emitiu um alerta para a necessidade de economizar água e priorizar o consumo para a alimentação e para a higiene pessoal.