Neste ano, Jundiaí já registrou 19 casos de morte encefálica, condição que permite a doação de órgãos. No entanto, apenas 26% do total consolidou a doação. Os motivos para os outros 14 não terem doado envolvem restrições, como infecções, por exemplo, que vedam completamente o uso dos órgãos pelo risco de contaminação, ou recusas familiares, que, essas sim, podem ser revertidas e, com isso, o número de transplantes aumentar. A fim de que haja conscientização maior da população, neste sábado (27) é celebrado o Dia Mundial da Doação de Órgãos.
Em 2025, o Hospital São Vicente (HSV), referência do SUS na captação de órgãos na região, registrou cinco doadores, resultando na doação de: 10 rins – todos destinados à Unicamp; quatro fígados – dois para a Unicamp e dois para São Paulo; um coração – encaminhado ao Incor; um pulmão – encaminhado ao Incor; e dois ossos – destinados a Marília.
No mesmo período, ocorreram oito recusas, sendo: três por desejo de corpo íntegro; duas por motivos religiosos; e três devido à demora no processo de liberação do corpo. Além disso, o HSV teve seis casos de morte encefálica com contraindicação à doação, relacionados a idade avançada, infecção por dengue ou infecção por meningite.
Lista poderia ser menor
A fila de transplantes no Brasil é nacional, mas geralmente os órgãos não são levados para muito longe por conta do tempo hábil para a cirurgia. No estado de São Paulo, segundo o Ministério da Saúde, são mais de 22 mil pessoas esperando por transplante de órgãos, sem contar córneas. Em todo o país, são mais de 47 mil, ou mais 78 mil contando córneas.
No ano de 2024, o Brasil bateu recorde histórico de transplantes realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), com mais de 30 mil procedimentos, um crescimento de 18% em relação a 2022. A fim de tornar ainda mais eficaz o andamento da fila, o Ministério da Saúde anunciou medidas como a oferta da Prova Cruzada Virtual para a rede pública de saúde de todo o país e novos procedimentos pelo SUS, anunciados neste ano.
Atualmente, o SUS oferece a Prova Cruzada Real, que mistura os antígenos do doador com o soro do possível receptor. Se o receptor tiver anticorpos contra o antígeno do doador, haverá uma reação, indicando que há maior chance de rejeição do órgão. A novidade é a Prova Cruzada Virtual, que, em breve, será oferecida no SUS. Também há novidade em relação aos procedimentos: oferta inédita de transplante de intestino delgado e multivisceral no SUS e o uso de membrana amniótica para tratar queimaduras.
E, para que os avanços cheguem à população e o número de doadores aumente, foi lançado o Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (ProDOT) que vai capacitar as equipes de doação para que acolham os familiares, o que poderá ter impacto positivo nas entrevistas familiares. Em 2024, 45% das solicitações de doação de órgãos foram rejeitadas por parentes dos doadores no país, número elevado se comparado, por exemplo, às negativas familiares na Espanha, fica entre 8% e 10%.