RETRÔ E VINTAGE

Móveis e roupas usados despertam interesse dos jovens

Por SIMONE DE OLIVEIRA | JORNAL DE JUNDIAÍ
| Tempo de leitura: 3 min
SAMUEL SILVA/JORNAL DE JUNDIAÍ
Matheus Souza tem focado o estoque em peças raras e que atrai o consumidor
Matheus Souza tem focado o estoque em peças raras e que atrai o consumidor

Nas vitrines de importantes centros comerciais é cada vez mais comum a moda que une o retrô e o vintage tanto nas coleções como nas decorações e em Jundiaí não é diferente. Os pontos estão se reinventando e conquistando o coração e o bolso do público, inclusive jovem, que utiliza a tendência para mudar hábito e também para ser exclusivo. Em Jundiaí, por exemplo, de acordo com a Unidade de Gestão de Governo e Finanças / Departamento Licenciamento de Atividades – Contribuinte Mobiliário, são pelo menos oito estabelecimentos registrados como brechós e outros nove como lojas de móveis usados. Só em 2024 foram três registros.

A moda circular e o consumo consciente ganham força entre a Geração Z e os millennials, que transformam brechós e lojas de móveis usados em templos de estilo, personalidade e cuidado com o planeta. Em Jundiaí a conconcentração desses estabelecimentos se distribui entre regiões centrais e bairros, sendo Centro (37,5%); Vetor Oeste (25%); Leste, Norte e Sul (12,5%) para brechós e Sul (33,3%); Centro e Leste (22,2% cada); Norte e Oeste (11,1%) para móveis. 

E foi justamete para preservar o bom gosto e a elegância dos móveis antigos, é que os comerciantes Matheus Henrique de Souza e Marco Aurélio de Souza resolveram investir, há nove anos, no segmento de móveis. Localizado em três pontos do município,  concentra um público que vai dos 20 aos 60 anos. Cada qual com sua preferência e motivação.

"Acreditamos que peças usadas não precisam ser descartadas ou inutilizadas. Infelizmente muitas pessoas se desfazem de móveis ou eletrodomésticos que não têm mais uso, porém pode ser de utilidade para outra pessoa. Aliás, tem muito produto bem conservado e muito mais em conta do que um novo e, muito mais importante, contribuindo com o meio ambiente em sustentabilidade", diz Matheus.

Geladeira, fogão, cama e sofá, o que naõ faltam são opções para fazer a diferença na composição. "Os jovens que estão começando sua carreira têm procurado os móveis usados como fator econômico, sem dizer que muitos têm um gosto diferenciado e por isso não querem nada tradicional."

Brechós em alta

Roupas que chegam a 1/3 do valor original de mercado tem despertado o interesse do público que não abre mão da exclusividade e da economia. Público este 'garimpa' esta moda nos brechós e tem encontrado marcas famosas e peças raras com preço acessível.

Pelo menos duas vezes ao ano, a especialista em Marketing, Kátia Appolinário, de 30 anos, 'revisita' o próprio guarda-roupas para entender o que faz sentido estar ou não ali. Com as mudanças do corpo e das estações, não permite acúmulos e por isso este ritual se faz necessário. "Meu primeiro contato com o brechó foi mais como forma de passar essas peças adiante, porém nestas visitas comecei a garimpar e me surpreendi com a qualidade e beleza dos itens. Desde então, foi um caminho sem volta", conta.

Com os brechós conseguiu reduzir o consumo de fast fashion, mas percebeu a economia. "Dia desses comprei um vestido longo de uma marca famosa por R$80 que parecia nunca ter sido usado. Além disso, acho incrível pensar que cada peça de roupa carrega sua própria história. Quando adquiro uma peça nova, já imagino, por exemplo, no que ela significou para o seu antigo dono."

Pelo menos duas vezes ao ano a especialista em Marketing Kátia Appolinário revisita o guarda-roupa

Assim também é para a Analista de Suprimentos, Camila Dias Caiero Rogonha, de 36 anos, que une a exclusividade com a economia. Dona de um estilo próprio, ela prioriza o trabalho empenhado naquela peça e isto faz toda diferença. "Gosto muito de trabalhos artesanais que priorizam o material sustentável e que agrega valor ao nosso meio ambiente."

A franqueada de um brechó em Jundiaí, Danielle Lucinda Ramalho Capireribe,  retrata que a moda circular tem tido uma pegada social e até histórica, porém econômica, mas sem deixar de lado o estilo dos apreciadores desta tendência. "Ter algo retrô é sempre uma tendência, mas muitos desejam ter sim uma peça luxuosa, de grife e pagando pouco. Este é uma dos fatores que impulsionam o crescimento dos brechós."

"Gosto muito de trabalhos artesanais que priorizam o material sustentável", diz Camila Dias

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