APREENSÃO

Jundiaiense no Japão relata desespero com terremoto

Por Nathália Sousa | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
ARQUIVO PESSOAL
Paulo (marido), Yuri (filho) e Ana Paula Souza Gomes Iço foram para o Japão em 2019, mas esperam voltar
Paulo (marido), Yuri (filho) e Ana Paula Souza Gomes Iço foram para o Japão em 2019, mas esperam voltar

Um terremoto de magnitude de 7,6 atingiu o centro-norte do Japão às 16h10 (4h10 no horário de Brasília) de segunda-feira (1º). O epicentro foi a província de Ishikawa, onde a mensagem "Tsunami! Evacuar!" piscou nas telas de televisão, para que moradores deixassem o local. A 200km de distância, a jundiaiense Ana Paula Souza Gomes Iço também sentiu o tremor, mais brando, porém bastante assustador.


"Onde moramos foi afetado pelo terremoto com uma intensidade menor, porém sentimos bastante. Onde foi o epicentro, deu 7,6 na escala, em Ishikawa, e aqui deu 4, mas tremeu tudo, foi bem assustador. Moro em Shiga-ken, fica mais ou menos a uns 200km de distância. Mas quase todo o Japão sentiu o tremor", conta ela.


Ana Paula lembra o dia. "Primeiro tremeram as janelas e eu pensei que fosse uma ventania forte, que sempre dá aqui, mas logo em seguida meu esposo falou que era terremoto e já se levantou da mesa. Começamos a sentir tremer tudo, olhei para o meu guarda-roupa e vi minhas roupas balançando no cabide, o chão balançando. Aí já me deu uma tontura muito forte e meu filho, que tem 7 anos, ficou assustado, chorando. Só pensei em pegar ele no colo."


"Nisso, meu esposo já nos chamou para sair do apartamento. Moramos no primeiro andar e é como se fosse o térreo no Brasil, então já saímos direto para o estacionamento do prédio. Logo parou o tremor e entramos novamente. Mas não estava preparada para a evacuação. Nunca estamos, né? Terremoto é comum no Japão, aqui onde moro não tem com frequência, mas quando dá é bem fraquinho, quase não sentimos, porém esse foi bem fortinho e assustador", detalha.


Sobre tsunami, Ana Paula diz que mora mais longe de praias, em uma região montanhosa, então não há risco, mas pode haver mais tremores. "Por aqui ainda está tendo terremoto próximo ao epicentro, mas onde eu moro não deu mais, graças a Deus. Porém, estão falando para ficarmos atentos, pois ainda se espera mais tremores."

DIFERENÇAS
Ana Paula nasceu em Jundiaí, mas morava em Várzea Paulista antes de ir para o Japão e já sente falta do Brasil, após mais de 4 anos no país oriental. "Viemos para o Japão em janeiro de 2019, eu, meu esposo e um filho, deixando um outro filho mais velho no Brasil com os meus pais, porque ele não quis vir para o Japão. Viemos para cá para trazer e dar uma vida melhor para os nossos filhos, então viemos para moradia mesmo."


No entanto, Ana Paula já pensa em retornar ao país natal. "A nossa vontade era já ter ido embora no ano passado, pois o Japão não é aquilo que pintam, é muita ilusão, e já não está mais compensando ficar aqui. Além do mais, estamos longe da nossa família, que está toda no Brasil, principalmente meu filho Matheus, que não vejo há quase cinco anos, não o abraço, não é fácil, mesmo com a tecnologia de hoje, e agradeço a Deus por isso, posso vê-lo todos os dias pelas videochamadas. Mas não é a mesma coisa."


Como o apartamento em que mora no Japão não teve a estrutura abalada, ela não precisará se mudar ou reconstruir algo, mas pede orações pelo Japão. "Como a nossa área não foi tão afetada, não precisamos nos reerguer, mas pedimos as orações de todos pelo Japão, para que Deus continue nos guardando e a todos que perderam seus lares, famílias. O Japão precisa da oração de todos."

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