Guardas municipais do Apoio Tático prenderam nesta quinta-feira (26), no Jardim Santa Gertrudes, em Jundiaí, uma mulher suspeita de roubar uma idosa de 65 anos, na Ponte São João, no dia 13 de julho deste ano, e que faleceu no Hospital São Vicente no dia 7 de setembro, em decorrência de ferimentos resultados da agressão que sofreu durante o assalto. A prisão foi em cumprimento de mandado de prisão temporária por 30 dias, a pedido da Delegacia de Investigações Gerais, que contou com parceria da Guarda para identificar a autora do crime.
De acordo com o que apurou a reportagem, ela estava morando em uma pensão, inclusive se escondendo de traficantes e usuários de drogas moradores na cracolândia da Ponte, que haviam a ameaçado, uma vez que a idosa morta era muito querida por todos.
A prisão foi efetuada pelos GMs Nakahara, Pierre e Pereira, com supervisão do subinspetor Vaz.
COMO FOI
No dia 13 de julho dona Vânia Magali Molero, de 65 anos, chegava em sua casa por volta das 13h, retornando do trabalho, da casa de uma advogada onde atuava como diarista uma vez por semana há 15 anos - ela também trabalhava duas vezes por semana na casa de um advogado há mais de 30 anos. Ao abrir o portão, Vânia foi abordada por uma mulher, que anunciou o assalto e tentou tomar a bolsa de suas mãos. Em áudio obtido pela reportagem, gravado na época pela própria vítima, com dificuldades ela contou sobre o roubo. "Moro aqui no final da rua Lima, em uma travessa sem saída. Acabei de chegar do serviço e veio uma 'nóia' (usuária de drogas) para me roubar R$ 70 e ainda fez todo esse machucado em mim. Me empurrou e me agrediu. Tive que começar a gritar enquanto tentava segurá-la. Eu estava voltando do trabalho. A mulher fugiu", relatou ela.
A idosa foi empurrada no chão pela ladra e se machucou bastante no braço. A Polícia Militar foi acionada e prestou atendimento à ocorrência e a idosa foi socorrida pela família ao São Vicente - mais tarde, naquele dia, a GM também esteve no local para conversar com a irmã da vítima.
O caso, porém, só veio a tona no dia 8 de setembro, através de reportagem publicada pelo Jornal de Jundiaí, noticiando a morte da vítima. O trecho da matéria diz: "Uma idosa da 65 anos morreu na manhã desta quinta-feira (7), no hospital São Vicente, em Jundiaí, após 37 dias de internação, por conta de ferimentos sofridos durante um assalto na porta de sua casa, no bairro Ponte São João, em julho. O crime foi cometido por uma mulher, moradora de rua, que fugiu em seguida sem conseguir levar os R$ 70 da diária de serviço da vítima, que ela havia conseguido trabalhando como diarista na casa de uma escritora".
INVESTIGAÇÕES
Com a repercussão, o caso passou a ser investigado. "Nós não tínhamos conhecimento desse caso, mas quando a matéria saiu no JJ, fomos acionados a investigar. Só que durante as investigações não encontramos Boletim de Ocorrência do dia do assalto, então ficou mais difícil. De qualquer forma, e conjunto com a GM, foi possível identificar a possível autora", disse o delegado Marcel Fehr.
Foi pedido mandado de prisão temporária para a suspeita e, nesta quinta-feira, ao receber informações do paradeiro dela, os guardas do Tático foram até o local, no Santa Gertrudes. "Ela estava com o namorado, em uma cômodo de uma pensão. Ela negou o crime, mas o namorado, ao lado, logo provocou ela: 'para de enrolar, fala logo. eles estão aqui por causa daquela velhinha que morreu na Ponte São João, você sabe disso'", contou Vaz.
A mulher, que tem 36 anos e é usuária de crack, foi levada para a DIG, onde foi indiciada por latrocínio. Depois, foi levada para a Cadeia Púbica de Itupeva, para aguardar audiência de custódia.
AMEAÇA
Segundo apurou a reportagem, a suspeita vive perambulando pela cidade se instalando em submoradias próximas a pontos de venda de drogas. Na época do crime, ele vinha morando na cracolândia da Ponte São João, na divisa com o São Camilo. Pelo crime em questão, ela foi ameaçada de morte por traficantes e usuários de drogas, uma vez que a vítima era muito querida, por sempre ajudar a todos com comida, roupa, água... Por causa disso, então, ela saiu daquela área e vinha se escondendo.