Para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Jundiaí, o latrocínio que vitimou um idoso de 72 anos, no bairro Vila Tomazina, em Campo Limpo Paulista, no último dia 12, foi premeditado e orquestrado por uma mulher, de 37 anos, com quem ele vinha se relacionando amorosamente há pelo menos três meses.
Ela e um amigo, de 46 anos - suspeito de participação no crime -, foram detidos pela Polícia Militar em Miracatu-SP no último fim de semana, e agora estão presos temporariamente na Cadeia Pública de Itupeva e Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista, respectivamente, até que a Justiça conceda o pedido de prisão preventiva para ambos, solicitados pelo delegado Marcel Fehr e delegado-assistente Roberto Souza Camargo Júnior. Após isso ele será levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí e ela permanecerá na cadeia em Itupeva.
A trama que resultou no roubo seguido de morte do idoso, que era tapeceiro, foi revelada pelos delegados durante entrevista coletiva concedida na sede da DIG, na tarde desta quinta-feira (28).
ENTENDA
De acordo com o delegado Camargo Junior, "há cerca de três meses a vítima foi passear em Ilha Comprida, em sua casa, no litoral Sul de São Paulo, onde conheceu essa mulher. Eles então passaram a viver um relacionamento, sendo que ele a trouxe para sua casa, em Campo Limpo - onde ele morava com familiares -, para passar alguns dias. Isso aconteceu por algumas vezes, mas a família dele se posicionou contra o relacionamento, principalmente pela diferença de idade. Tem ainda o fato de que ela é usuária de drogas e a família da vítima não confiava nela", explicou ele, que completou. "O relacionamento entre eles ficou claro, a partir do momento em que, inclusive, ele alugou uma casa em Campo Limpo para que ela pudesse viver com ele sem interferência da família, e ainda trouxeram vários pertences dela".
Porém, após cerca de dois meses, a vítima e a mulher passaram a se desentender, por conta de interesses e objetivos diferentes, sendo que ela então começou a enviar a ele mensagens com ameaças e promessas de que lhe faria mal, caso ele não levasse até ela, em Ilha Comprida, os pertences deixados em Campo Limpo. Em um dos áudios, disponibilizados pela polícia, ela diz: "você tem até quarta-feira para trazer minhas coisas, ou você já sabe o que vai de acontecer. Eu vou até aí com o (e cita um nome)".
Após um período recebendo mensagens dela com ameaças, ele foi morto enforcado com um fio, na casa que havia alugado, em Campo Limpo. O corpo foi encontrado pela família no dia 12 deste mês - os familiares foram ao local porque não conseguiam fazer contato com ele desde o dia 10, e acabaram por encontrá-lo morto.
A PM foi acionada e informou a Polícia Civil da cidade, que, num primeiro momento, acreditou se tratar de suicídio. "Mas o delegado e sua equipe foram ágeis ao descobrirem que o carro e celular da vítima haviam sumido, ou seja, logo levando a crer que estivesse diante de um crime de latrocínio", comentou o delegado Fehr.
DIG 'NA JOGADA'
A partir de então a DIG entrou 'na jogada' e, nos dias seguintes, descobriu toda a história do relacionamento conturbado entre o tapeceiro e a mulher que havia conhecido em Ilha Comprida. "Com ajuda da família, identificamos a mulher e pedimos sua prisão temporária, alertando toda a polícia da região de Ilha Comprida sobre o caso", comentou Fehr, que seguiu explicando. "E no final de semana recebemos uma ligação do delegado de Iguape - que estava respondendo pela delegacia de Miracatu -, informando que a PM havia abordado um casal em Miracatu, e que a mulher era justamente quem estávamos procurando. Eles estavam com o carro da vítima. Ela ficou presa, mas o amigo, que confessou participação no crime, foi solto, porque não havia mandado de prisão contra ele".
A partir daí houve uma grande cooperação das policias de Iguape e Miracatu, além do plantão do poder judiciário, para que concedessem também um mandado de prisão temporária para o amigo dela. "Com o mandado expedido de forma muito ágil, ele acabou preso no dia seguinte. E logo em seguida fomos buscá-los e os trouxemos para Jundiaí", comentou Camargo Júnior.
ELE CONFESSOU E ELA NEGOU
Já em Jundiaí, o amigo da mulher confessou ter sido ele o autor do assassinato, alegando que ela estava junto (no dia e ocasião), mas que no momento do enforcamento ela havia saído para comprar drogas e que portanto não presenciou e não participou do homicídio. Ela, por sua vez, negou tudo, afirmando que sequer esteve em Campo Limpo no dia do crime, atribuindo toda a culpa ao amigo.
Porém, diante das inúmeras mensagens ameaçadoras, do depoimento do amigo relatando todo o planejamento dela, e pelo fato de também estarem com o carro da vítima no momento da abordagem em Miracatu, além de outras evidências, os delegados os indiciaram por latrocínio e já irão relatar o caso para a Justiça. "Desta forma damos o caso por esclarecido", comentou Camargo Junior.