AULAS GRATUITAS

Defesa pessoal leva confiança e força às mulheres

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 3 min
ARQUIVO PESSOAL
Com alta demanda, Campo Limpo Paulista oferece aulas gratuitas de defesa pessoal para mulheres
Com alta demanda, Campo Limpo Paulista oferece aulas gratuitas de defesa pessoal para mulheres

Cercadas de violência no dia a dia, mulheres optaram por investir em aulas de defesa pessoal a fim de garantir proteção, força e confiança em situações indesejadas. Apenas no primeiro semestre deste ano (de janeiro a junho), o Estado de São Paulo registrou 123,5 mil casos de violência contra a mulher, de acordo com dados da Secretaria do Estado de São Paulo (SSP). Entre os crimes estão feminicídio, estupro, ameaça, lesão corporal, entre outros.

Além de melhorar a força física e ensinar técnicas defensivas na tentativa de evitar sofrer agressões físicas, a autodefesa também visa melhorar a autoconfiança, autoestima e postura dos praticantes. De acordo com o atleta de jiu-jitsu e professor de defesa pessoal, Fernando Morbidelli, a procura de mulheres por aulas de artes marciais aumentou consideravelmente nos últimos anos por conta da crescente sensação de insegurança. "Hoje em dia a autodefesa é uma necessidade no cotidiano das mulheres. A procura aumenta, porque a situação do país é de aumento de casos de feminicídio e violência contra a mulher. As aulas de defesa pessoal são importantes porque, acima de tudo, trazem confiança e postura para as mulheres, pois em situações de violência, o agressor sempre procura o alvo mais frágil", afirma Morbidelli.

As técnicas da defesa pessoal têm origem nas artes marciais tradicionais e foram adaptadas para que todas as pessoas tivessem condições de se defender em situações do cotidiano. Segundo Morbidelli, cada tipo de violência tem uma técnica para defesa. "São técnicas de luta onde a pessoa vai utilizar golpes defensivos ao invés do ataque. Nas aulas nós ensinamos técnicas simples, sem movimentos complexos, para que todas as pessoas consigam aplicar. Eu sempre reforço que toda arte marcial é uma autodefesa e não deve ser usada para agressão", explicou.

CONFIANÇA

A empresária Giseli Siqueira, de 43 anos, moradora de Campo Limpo Paulista, ingressou nas aulas de defesa pessoal recentemente e definiu a técnica como uma necessidade na sua vida. "Desde que comecei a praticar defesa pessoal, a técnica se tornou indispensável para mim. Me sinto confiante, segura e mais forte mentalmente, além de todos os benefícios físicos que a modalidade traz", contou a empresária.

Giseli foi vítima de violência doméstica e conta que se sentiu culpada por não conseguir se defender da situação. Hoje, ela incentiva outras mulheres à prática de autodefesa. "Na época que sofri agressão não consegui me defender e me senti humilhada e culpada. Muitas mulheres sofrem caladas por medo e vergonha de contar para alguém. Hoje, todas as clientes que passam pelo meu comércio tento convencê-las a entrar para as aulas de defesa pessoal."

A empresária também reforçou que a autodefesa ajuda a se sentir mais segura contra a onda de assaltos constante. "Sou proprietária de um salão de beleza no bairro Botujuru, em Campo Limpo Paulista, e sempre temi assaltos e furtos. Hoje, me sinto mais segura em relação aos crimes por conta das técnicas de defesa pessoal. Sei que não sou mais um alvo frágil."

AULAS GRATUITAS

Por conta da alta demanda, a Prefeitura de Campo Limpo Paulista oferece aulas gratuitas de capacitação e defesa pessoal para mulheres. A iniciativa faz parte da conscientização pelo fim da violência contra a mulher. De acordo com o professor responsável, Fernando Morbidelli, não é preciso se inscrever previamente. "Podem participar mulheres acima de 18 anos. Para praticar, basta chegar no horário e local da aula. Não é necessário ter conhecimento técnico e nem preparação física. As aulas são para todas."

As aulas acontecem semanalmente nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) Botujuru e Leste e na região Central, em dias diferentes da semana, sempre das 8h às 9h. Confira:

CRAS Botujuru: (todas as terças) das 8h às 9h.

CRAS Leste São José : (todas as quintas-feiras) das 8h às 9h.

CRAS Centro: (todas as sextas-feiras) das 8h às 9hs.

Comentários

1 Comentários

  • Sonia Edmar Antônio Ferreira 27/08/2023
    Acho que o horário deveria estender, pra quem trabalha fora