TAÇA

Em Jundiaí, jovem haitiano realiza sonho de jogar futebol

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 3 min
Fábio Rocca/@Ta_nolance
O jovem se inspira no Vinícius Jr e ganhou o apelido de 'Plip plip' por suas habilidades
O jovem se inspira no Vinícius Jr e ganhou o apelido de 'Plip plip' por suas habilidades

O jovem haitiano Sonjerry Junior Josaphat, de 17 anos, precisou deixar seu país em busca de melhores condições de vida para sua família e para fugir do constante clima de guerra do local. Em Jundiaí, Son conseguiu realizar o sonho de jogar futebol pela primeira vez e hoje representa o bairro São Camilo na Taça das Favelas.

O haitiano chegou ao Brasil com 12 anos de idade e veio direto para Jundiaí. Em cinco anos ele aprendeu a falar português fluentemente, começou a estudar em uma escola, fez novas amizades e seus pais conseguiram emprego. Porém, de acordo com Son, a adaptação não foi tão fácil. "Meu pai foi o primeiro a sair do Haiti e vir para o Brasil, depois veio minha mãe, minha irmã e eu vim por último, com minha tia. Meu irmão mais velho ainda está por lá e também tem planos para se juntar a nós. Os primeiros meses foram difíceis, eu me senti 'perdido' na cidade e só ia de casa para a escola e vice-versa. Mas depois de aprender o idioma e fazer amizades fui me acostumando cada vez mais com a essa cultura e hoje me sinto acolhido pela cidade", disse Son.

PAIXÃO

Apaixonado por futebol desde muito novo, Sonjerry sempre sonhou em se tornar jogador profissional. Porém, apenas quando chegou ao Brasil o jovem conseguiu dar os primeiros passos em busca do sonho. "No Haiti as condições eram péssimas. Lá, só quem tinha muito dinheiro tinha a oportunidade de jogar futebol e minha família sempre foi pobre. Então, as pouquíssimas vezes que tive contato com esporte foi jogando na rua, com uma bola de meia, junto com meus amigos. Por conta do clima hostil do país, meu pai também me impedia de jogar futebol, por isso, quando eu saía para jogar, era escondido. A primeira vez que chutei uma bola de futebol e pisei em um campo foi quando cheguei ao Brasil", revela o haitiano.

Além da paixão por jogar futebol, Son também gosta de torcer e assistir às partidas, o que também era distante para ele no Haiti. "Eu sempre admirei a seleção brasileira. Futebol nunca foi popular no Haiti, então era muito comum ver haitianos torcendo pela 'Amarelinha', admirando jogadores e clubes do Brasil. Hoje, consigo acompanhar os jogos e torcer mais de perto. Ainda não tenho um time do coração para torcer, mas meus amigos ficam me pressionando para escolher um logo."

TALENTO

Em pouco tempo no Brasil, Son já impressionava seus amigos com a facilidade e talento que ele tinha para jogar futebol. Nos campinhos da cidade e pelas ruas do São Camilo, o jovem recebeu o apelido de "Plip plip" por conta de suas habilidades com a bola. "Me deram esse apelido por eu ser 'liso' em campo. Gosto de jogar como ponta-direita, usando a velocidade, driblando e encarando o adversário no um contra um. Me inspiro muito no Vinícius Jr."

Na semana passada, Son fez sua estreia na Taça das Favelas, atuando pelo São Camilo, e marcou um golaço de falta. Ele comemorou o desempenho em campo e a vitória da equipe. "Eu estou muito feliz. Foi um sonho realizado e um passo a mais em busca do meu objetivo principal, que é me destacar como jogador de futebol. A Taça das Favelas está sendo uma oportunidade única e algo que sempre sonhei. Está sendo uma honra representar meu bairro, meus amigos e minha família em campo."

Sonjerry volta a campo hoje (20), às 9h30, pelo São Camilo, nas quartas de final da Taça das Favelas, contra o Tulipas/Marlene. Quem vencer avança às semifinais da competição.

Sonjerry estreou na Taça das Favelas marcando um golaço de falta pelo São Camilo. FOTO: Duda Martinelli/@Mah_eduarda_002
Sonjerry estreou na Taça das Favelas marcando um golaço de falta pelo São Camilo. FOTO: Duda Martinelli/@Mah_eduarda_002

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