Grandes montadoras de veículos que atuam no Brasil, como a Volkswagen e a GM, fizeram pausas na produção, com férias coletivas neste ano. A justificativa é a baixa demanda de mercado. Com isso, indústrias da região que fabricam componentes usados por essas montadoras sentem algum impacto, embora ele não seja grande, visto que há diversificação de produção e de mercado.
De acordo com o cadastro geral de empregados e desempregados (Caged), que registra o trabalho formal no país, houve saldo negativo de emprego no setor de Fabricação de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias, em março (-28) e abril (-27), mas em maio as contratações voltaram a superar as demissões (20). Em Campo Limpo Paulista, o saldo foi negativo em março (-33), abril (-68) e maio (-15). Já Várzea Paulista teve saldo positivo em março (25), abril (15) e maio (36).
A Volkswagen, de Taubaté, chegou a anunciar a suspensão do contrato de trabalho de 800 funcionários, mas voltou atrás e deu férias coletivas. A montadora foi a segunda que mais solicitou recursos ao governo federal no Programa do Carro Popular, ficando atrás apenas da Stellantis (Fiat e Jeep). As boas vendas do momento teriam feito com que a montadora desistisse das suspensões de contratos.
REGIÃO
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista, Eliseu Silva Costa diz que na região as empresas do ramo que fornecem peças para montadoras costumam diversificar a produção. "Depende muito da empresa, mas elas não trabalham para um cliente só, trabalham para várias montadoras e vários segmentos. A Volkswagen vai ter férias coletivas. Aqui, houve empresas que fizeram redução de jornada, mas já voltou ao normal."
Eliseu diz que as mudanças de mercado alteraram as produções. "Tem empresas que fabricam componentes para diversos segmentos. O incentivo do governo aumentou venda, mas era um valor que rapidamente foi usado. As empresas estão tentando se enquadrar na tecnologia dos veículos elétricos, mas é uma cadeia produtora e isso causa um efeito dominó, reflete nas autopeças, que é uma área forte na região. Mas as empresas automobilísticas também buscam alternativas com outros segmentos e outros veículos que surgem."
CEO da Thyssenkrupp Metalúrgica, de Campo Limpo Paulista, José Carlos Cappuccelli diz que há algum impacto, mas não chega a ser grande. "Estamos tendo alguma alteração de demanda, mas sem grandes impactos devido à estabilidade do nosso mercado de exportação", define.
O CEO diz que a pandemia mexeu no mercado, mas a alteração foi passageira. "Após o atendimento à demanda reprimida, houve uma certa estabilidade, sem grandes impactos para a empresa."
Cappuccelli conta que o programa de incentivo ao carro popular, por outro lado, não gerou muito impacto. "A Thyssenkrupp Metalúrgica Campo Limpo tem como seu principal mercado a produção de componentes para veículos pesados, portanto, o incentivo ao carro popular tem pouco impacto para a empresa."
Gestor de Governo e Finanças de Jundiaí, José Antonio Parimoschi fala que o reflexo é inevitável. "Não há dúvidas de que as empresas de siderurgia, de metalurgia, que operam dentro dessa lógica do setor automobilístico, tiveram naturalmente um prejuízo, porque, se o número de venda de veículo, por exemplo, caiu, indiscutivelmente diminuiu a produção, diminuiu a compra da indústria e, sem dúvida nenhuma, pelo comportamento da cadeia, dá para prever que você deve ter uma queda de arrecadação vinda desse setor."
Parimoschi diz que, ao contrário da indústria de algumas décadas atrás, que tinha produtos mais segmentados, hoje diversifica mais a produção. "A indústria vai substituindo processos. Por exemplo, a metalurgia pode levar aquilo que ela produz para a indústria automobilística, para a indústria da linha branca, por exemplo, que não sei se caiu ou não, e para outras indústrias que podem utilizar esse mesmo produto."