Com o início do inverno, é comum que o movimento em parques caia, no entanto, neste ano, há também quem evite frequentar os espaços pelo medo dos carrapatos-estrela, transmissores da febre maculosa. Uma presença registrada nesses ambientes em Jundiaí é a capivara, um dos animais parasitados pelo carrapato. Mas capivaras também frequentam outros espaços do município, o que assusta a população.
Juliana Abreu, além de ir aos espaços por conta do trabalho de fotógrafa, ia pelo lazer. "Com as crianças, fui algumas vezes no Parque do Eloy Chaves e em algumas vezes elas voltaram com carrapato. Acho que da última vez meu filho voltou com dois carrapatos. No do Tulipas também já aconteceu e no Jardim Botânico. Eu não passo repelente em mim, mas nunca peguei carrapato. Meu filho tem alergia a picada de abelha e sempre passamos repelente nele, mas parece que para carrapato não resolve. Não sei se tem algum tipo de dedetização que pode ser feita em parque, mas se tivesse seria bom."
Moradora de Jundiaí, Eliana Gonçalves deixou de frequentar parques. "Frequentava o Parque da Cidade e Mundo das Crianças. No fim de semana passado até ia, mas não fui por medo, lá tem lago, capivara, estou receosa. Quando ia ao Parque da Cidade, não sentava na grama, só ficava na área da areia e nos brinquedos, e no Mundo das Crianças não ia para a área de grama. Eu mesma, só volto a ir quando normalizar. Não sei se existe dedetização pra esse problema, mas, se tiver, seria bom."
Também moradora do município, Fátima Beillo Menaldo Moraes conta que o frio e o medo desmotivam a ida a parques. "A gente começou a ficar com receio e o clima agora é propício para ir menos também. Eu ia ao Parque da Cidade e Mundo das Crianças. O Parque do Engordadouro eu fui uma vez para nunca mais, tem muito carrapato lá e dá medo de frequentar. Moro no Fazenda Grande e também vamos no parquinho daqui e meu filho já teve carrapato por três vezes."
FLUXO
Administradora dos Parques da Cidade e Mundo das Crianças, a DAE informa que não houve queda no movimento dos espaços em relação ao mês passado, embora afirme que há redução de visitantes por conta do inverno, principalmente em dias mais frios. Além dos colaboradores dos parques orientarem visitantes, a DAE diz acompanhar todas as instruções da Vigilância em Saúde Ambiental (Visam), quanto às placas de orientação à população sobre a possível presença de carrapatos em áreas próximas à represa. Há também cercas de contenção para manter animais, como as capivaras, na área da represa, e roçada semanal.
Os demais parques públicos do município são geridos pela Unidade de Gestão de Infraestrutura e Serviços Públicos (Ugisp), que informa não haver alteração na frequência de visitantes aos parques da cidade nas últimas semanas. Ainda de acordo com a Ugisp, as medidas de orientação e prevenção são ações constantes das equipes, e uma medida adicional para a ampliação no número de placas de orientação está em andamento. Os servidores dos parques também orientam os visitantes sobre os riscos e cuidados relacionados a carrapatos.
CAPIVARAS
Arquiteto, Eduardo Pereira diz que as capivaras entram em sua propriedade. "Há um ano já reclamo disso e começou a ter carrapato, estava um horror. Reclamei disso para todo mundo que eu podia, o máximo que aconteceu foi vir um pessoal de Campinas com uma gaiola para capturar, mas não pegaram nada. Estou aqui desde 1975 e antes não tinha esse problema."
Ele diz que cercou o terreno, mas elas entram mesmo assim. "É um problema antigo, mas pode piorar, percebo descontrole de capivaras. Já fechei tudo aqui, mas elas acham um jeito de entrar."
Engenheiro químico com atuação em gestão ambiental e professor do Unianchieta, Flavio Gramolelli Junior diz que há capivaras em muitas regiões de Jundiaí. "Onde tem área verde, geralmente tem capivara. Terra Nova, Malota, Jundiaí-Mirim, Parque da Cidade, Capital Ville. Mas tem duas questões: não é só a capivara que tem carrapato, outros animais podem ser hospedeiros, como cavalo, cachorro. O problema não é o animal, é o carrapato."
Mesmo assim, o engenheiro diz que há uma solução para o controle populacional das capivaras. "Como a Legislação não permite o abate ou a translocação, o que pode acontecer é uma cirurgia de esterilização que não é castração. Mas quando tem capivaras e não tem casos de febre maculosa, elas não tem o carrapato infectado. O problema é quando chega outro bando e traz o carrapato com bactéria."