Opinião

O Yin e a Natureza de Mãe

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A medicina tradicional chinesa tem os seus primeiros escritos datados de 220 a.C., mas acredita-se que ela é praticada já muito tempo antes. Como nessa época a tecnologia tal como conhecemos hoje era praticamente inexistente, os seus fundadores contavam apenas com o poder de observação e a conexão com a natureza para estruturar os princípios que hoje são correntes e que reconhecemos como funcionais dado a sua extensa utilização na prática.

Quanto mais um fenômeno era observado na natureza, quanto mais ele se fizesse presente nas diferentes situações vistas pelos olhos dos sábios fundadores, era indicativo da sua importância na filosofia oriental e logo ela era base fundamentada para outras observações, seguindo assim até chegar na estrutura que temos hoje.

Dessa maneira é que acreditamos que surgiram as teorias muito conhecidas por todos, como a das polaridades opostas que interagem entre si para o crescimento e restrição da vida, ou seja, a teoria do Yin e do Yang, tal como elas são conhecidas no mundo contemporâneo.

Caracterizar algo que é mais sutil do que um sentimento ou mesmo que uma energia, como é o caso de uma polaridade, é realmente difícil, pois tamanha sutileza é complicada de ser posta em palavras. Contudo, para descrever a polaridade Yin nós temos a favor uma pequena vantagem… a experiência da maternidade.

Acredito que a maternidade seja muito mais uma disposição para o trabalho energético de uma maneira específica do que uma energia em si. Desta forma a maternidade pode atingir diferentes seres, com diferentes potências astrais e mesmo de espécies corpóreas diferentes. Até mesmo seres com gênero masculino conseguem experimentar a polaridade Yin no seu aspecto maternal a ponto de se comportarem como Mães e destinar a própria energia para esse fim.

Quem não reconhece a força de uma mãe quando vê uma cadela defender suas crias diante de ameaças que muitas vezes são maiores e muito mais fortes que ela? Quem não se admirou, perplexo, ao ver que ela não hesita e se entrega completamente ao perigo em prol da própria prole? O que a motiva agir assim? É a mesma polaridade que imanta (quer dizer, tem efeito magnético tal qual um ímã) os canais e meridianos de uma pomba, que permanece imóvel por horas no próprio ninho, protegendo os ovos com o próprio calor do corpo, não importando o frio que a ameace.

Essa característica receptiva, que dá forma e corpo físico ao sutil e ao etéreo é a marca do maternal que por sua vez é um dos fundamentos da polaridade Yin e a sua capacidade de desenvolver e estruturar o mundo físico. Não importa quem seja, não importa o trabalho que faça ou cargo que ocupe: todos nós chegamos ao mundo através da capacidade de estruturar a matéria que existe nas mães.

Então, neste singelo texto fica a minha homenagem àquelas (e àqueles, por que não?). E se deixaram imantar pela polaridade e transformaram o seu potencial energético na acolhedora figura maternal que dá espaço para todo tipo de manifestação com o carinho absoluto que marca para sempre os corações daqueles que o recebem.

Parabéns, mamães!

Alexandre Martin é médico especialista em acupuntura e com formação em medicina chinesa e osteopatia (xan.martin@gmail.com)

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