QUATRO CRIMES

Ocorrência de roubo e estupro em Cajamar, acaba em Jundiaí, com tentativa de matar GMs

Por Fábio Estevam | Polícia
| Tempo de leitura: 7 min
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Várias equipes participaram do cerco ao suspeito; um guarda ficou ferido e foi socorrido ao hospital
Várias equipes participaram do cerco ao suspeito; um guarda ficou ferido e foi socorrido ao hospital

Uma ocorrência de roubo e estupro contra uma motorista de aplicativo, em Cajamar, na manhã desta segunda-feira (1), terminou no período da tarde, na Ponte São João, em Jundiaí, com perseguição, desobediência, tentativa de homicídio contra guardas municipais, e a detenção do suspeito de ter praticado todos estes crimes.

Era por volta de 6h30, quando um homem abordou a uma mulher, que havia acabado de parar em um posto de combustíveis em Cajamar, para abastecer. "eu havia ido levar minha namorada em Cajamar, e parei em um posto e aproveitei para fumar um cigarro. Este homem, então, saiu de um Fox Preto, se aproximou de mim pediu um trago, sendo que ofereci um cigarro inteiro. Na sequência, ele começou a desabafar, disse que ia tirar sua vida, porque ele foi traído, e seus amigos tinham lhe abandonaram. E eu ainda tentei confortá-lo", contou a vítima.

Durante a conversa a vítima contou que era motorista de aplicativo, algo que, segundo ela, ele acabou se aproveitando para se aproximar ainda mais. "ao saber que eu era motorista de aplicativo, ele me pediu carona até o carro dele, que supostamente estaria estacionado ali por perto, e eu disse que sim, até porque tem uma base da Guarda Municipal perto, ou seja, me senti segura".

ESTUPRO E O ROUBO

A gentileza ao dar carona para o desconhecido logo se transformou em um inferno para a vítima, segundo seu relato: "Ao chegar perto de onde ele queria ficar, parei o carro ele pediu para eu desligar o carro, e me dar um beijo. Imediatamente falei não ia beijá-lo porque gosto de mulher e que não ia desligar meu carro. Nesse momento ele ficou furioso, girou a chave e desligou o motor. Indignada com sua ousadia, tentei ligar novamente meu carro, ocasião em que ele começou a me enforcar com muita força, ao mesmo tempo em que ele me olhava com muita raiva, em olhar fixo. Eu fiquei completamente sem ar, eu estava vendo minha morte. Minha visão ficou embaçada. Ele ficou me esganando por aproximadamente um minuto, eu quase desmaie, até a mão dele ficou marcada no meu pescoço. Depois, ele ainda deslizou uma das mãos no meu peito, e ficou passando a mão. Nesse momento, eu percebi que ele ia me estuprar, que sua intenção era de fato me abusar sexualmente. Então, tive que reagir energicamente, tentei me esquivar, coloquei minha mão na boca dele e consegui descer do carro. Foi nesse instante que passou um motoboy, pedi sua ajuda, mas o agressor gritou que era briga de casal para disfarçar. Depois, o agressor sentou no banco do motorista e ligou o carro, eu achei que ele ia furtá-lo, e como não tem seguro e dependo ele para sobreviver, eu pulei em cima dele. Ato continuo, o carro entrou em movimento, entramos em luta corporal, meu corpo ficou meio que para fora do carro e ele foi me arrastando no asfalto. Estou inteira ferida. Depois eu caí e ele foi embora com o carro. Tudo demorou aproximadamente uns cinco minutos. E foi o motoboy que me levou a base da GM, que ficava ali perto".

JÁ EM JUNDIAÍ

Algumas horas depois, do final da manhã para início da tarde, a Guarda Municipal de Jundiaí recebeu comunicação via Central de Operações Táticas (COT), que o veículo da vítima havia acabado entrar na cidade e estava sendo monitorado em direção ao Jardim São Camilo. Então, os guardas Pupo, Zarantonello e Furlan iniciaram patrulhamento pela área indicada, sendo que se depararam com o veículo suspeito, parado em um semáforo, na Ponte São João. Quando os agentes tentaram abordá-lo, ele saiu em fuga e, a partir daí, teve início a uma perseguição frenética. "Demos ordem de parada, porém o motorista iniciou fuga pelas ruas, fazendo manobras arriscadas, entrando em uma rua sem saída e colidindo de frente (e com força) com um muro ao final dessa rua. Apesar da batida, o ele ainda manobrou 45° (sentido contrário da batida) e parou de frente para um de nós, momento em que desci da minha viatura para fazer a abordagem. Ato contínuo, solicitei várias vezes que o motorista saísse do veículo, porém ele acelerou o carro na minha direção, em forte disparada, tentando me atropelar e me matar. Por sorte, consegui me esquivar, momento em que realizei três disparos em direção ao motor, e meu objetivo era impedir o funcionamento do veículo e não atingir o autor. Como meus disparos não foram suficientes para conter o criminoso, por isso meus parceiros de viatura não tiveram opção, senão efetuar novos disparos, dessa vez para neutralizar o injusto agressor - os disparos, contudo, não o acertaram. Mesmo assim, o indiciado jogou o carro em direção a uma motocicleta da Guarda Municipal - que já estava no apoio-, sendo que um GM de moto também teve que se esquivar para não sofrer lesões graves. Insatisfeito, e no mesmo contexto fático, o indiciado tentou atropelar e matar outro guarda, que conseguiu sair da rota de colisão, e acabou colidindo com um Fox prata, acabando prensando o GM em uma árvore - ele ficou preso entre o Fox e a árvore, em situação crítica".

SOCORRO E DETENÇÃO

Enquanto parte da equipe foi socorrer o GM gravemente ferido, prensado na árvore, outros foram até o carro do indiciado e o encontraram desacordado. Ele foi removido do carro e colocado no chão da via pública, para receber socorro, "momento em que acordou e, violento, tentou resistir à prisão. Por esse motivo, fizemos uso moderado da força para algemá-lo e contê-lo. Durante a colisão, o airbag do carro foi acionado e, por isso, o suspeito acabou se ferindo com certa gravidade. Após se acalmar, ele afirmou que estava com uma mulher e que teria pego o carro dela em Cajamar para vir a Jundiaí. Ele também confessou que havia bebido e usado cocaína, tendo um recipiente usado da substância em sua posse".

A PRISÃO NO PLANTÃO

A ocorrência foi apresentada no Plantão Policial, onde o delegado Rodrigo Carvalhaes prendeu o suspeito pelos crimes se roubo, estupro, tentativa de homicídio (contra os GMs) e desobediência. "Nessa fase de apuração preliminar, reputo caracterizado o estado de flagrante delito. Com efeito, tem-se que o indiciado foi encontrado logo depois de constranger a vítima, mediante violência ou grave ameaça, a praticar conjunção carnal ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso, somente não conseguindo êxito mediante pronta reação da vítima; subtrair, para si, mediante violência, seu veículo; desobedecer legítima ordem de parada dos guardas municipais; e por tentar matá-los, mediante atropelamento".

O delegado ainda fez uma observação no documento da ocorrência, a ser enviado ao juiz da audiência de custódia, sobre a importância da prisão preventiva do indiciado. "A segregação cautelar, para garantia da ordem pública, é óbvia e imprescindível. Embora primário, os fatos narrados são revestidos de extrema gravidade, e demonstram que o indiciado não tem, por absoluto, freios inibitórios, e, por consequência, condições mínimas de continuar convivendo em sociedade".

ELE NEGA O ESTUPRO

Em seu depoimento, o suspeito disse: "tentei beijar a vítima a força mesmo, mas não ia fazer sexo com ela. É verdade que apertei seu pescoço com força e que eu arrastei ela no asfalto para tentar roubar o carro. Também é verdade que roubei o carro dela e tentei atropelar três guardas municipais, e que eles poderiam ter morrido se eles não se esquivassem. Na verdade, tudo que estão me acusando é verdade, menos a parte do estupro, eu tentei beijá-la a força, mas não ia fazer sexo com ela. Não tive um bom dia."

APOIO AO CERCO POLICIAL

Durante a perseguição, os GMs solicitaram apoio e diversas viaturas participaram da ocorrência: Subinspetor Vaz e GMs Pereira, Pierre e Nakahara; Cristiano, Amâncio e Dos Santos; R. Oliveira, Thiago Santana e Leonarde; Icaro, Gonçalo e Pegoraro; Gildomar e Patriota; Arruda e De Sá; Alfier e Hellen; Felipe Daniel, Maio e Galvão.

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