FEBRE

Livros de 'true crime' estão em alta

Por Yasmim Dorti |
| Tempo de leitura: 3 min
JORNAL DE JUNDIAÍ
De acordo com Maria Eduarda, a busca aumentou em 20%
De acordo com Maria Eduarda, a busca aumentou em 20%

No último ano, após o lançamento de filmes e séries de crimes reais, os livros dos gêneros "true crime" e "thriller" acabaram se popularizando entre jovens e adultos na faixa de 16 e 35 anos.

De acordo com a vendedora de um sebo da cidade, Maria Eduarda Cunha Cardoso, a busca por esses gêneros aumentou em 20% no estabelecimento. "Quando lançou a série do Jeffrey Dahmer, da Netflix, o pessoal veio procurar muito. Acredito que a mídia está muito relacionada com a literatura, é muito correlata. Quando acontece algum crime ou algo do tipo, as pessoas tentam entender a cabeça dos assassinos e porque a humanidade está desse jeito, como os assassinos em série de antigamente eram em relação a hoje, etc. Por isso acaba tendo esse aumento dependendo da época e se algo novo sobre o assunto foi lançado na mídia. Atualmente, a Darkside, editora dedicada ao terror aqui no Brasil, é campeã nas vendas da nossa livraria e de outras também", explicou Maria Eduarda.

A editora Intrinseca tem um longo histórico com o público de thriller e suspenses, com muitos best-sellers desses gêneros no catálogo. Esse histórico de sucesso só continua, como exemplo, na última Bienal do livro, na qual cinco dos 20 livros mais vendidos eram desses gêneros e de true crime.

A designer gráfico Beatriz Costa Santos, de 29 anos, mora em Jarinú e consome livros de suspense desde criança. "Comecei a ler livros de suspense com Sherlock Holmes e não parei mais. Na adolescência, quando surgiu os blogs sobre o tema, comecei a consumir conteúdo sobre crimes reais e agora, com o crescimento de podcasts e livros do tema, comecei a comprar os livros sobre o assunto há uns três anos. Eu gosto desse gênero por ser muito intrigante", contou.

Carol Moreira e Mabê Bonafé, autoras do livro "Modus Operandi: Guia de true crime", falam sobre a repercussão do gênero. "Todo mundo sempre foi curioso com true crime, desde os primórdios da história. Mas, com o tempo, os conteúdos foram ficando cada vez menos sensacionalistas, mais sensíveis e com qualidade de produção. O público percebe isso", explicaram.

DRAMATIZAÇÃO

Apesar da curiosidade, os temas, em sua maioria pesados, podem ser perturbadores para pessoas mais sensíveis. "Alguns casos eu evito muito ler, principalmente quando envolve crianças, realmente me afeta", contou Beatriz.

A psicóloga Fátima Regina Negri explica que podem haver consequências graves ao psiquismo. "O que pode acontecer é gerar angústia e ansiedade pelo medo de se tornar uma vítima, sendo potencializada em pessoas que passaram por violências e crimes reais. Poderá causar uma distorção da percepção da realidade e com isso reforçar estereótipos, criando rótulos e ditando comportamentos muito prejudiciais. Se considerarmos que jovens e adolescentes estão em fase de descobertas e afirmação de sua personalidade, pode ter consequências graves ao psiquismo destes jovens adolescentes, podendo torná-los ansiosos e deprimidos", explicou a psicóloga.

Além disso, Carol Moreira e Mabê Bonafé explicam que um problema de alguns consumidores do gênero pode ser a distorção da realidade. "Um grande problema de quem consome esse conteúdo pode ser a insensibilidade com as partes envolvidas, esquecer que se tratam de vítimas e de histórias que machucaram as pessoas", contaram as autoras.

Comentários

Comentários