RETROSPECTIVA

Estupros, homicídios, roubos cinematográficos e onda de furtos; ano violento em Jundiaí

Por Fábio Estevam | Polícia
| Tempo de leitura: 5 min
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Entre os quase 20 homicídios registrados neste ano, um deles ocorreu neste mês no Jardim do Lago; vítima foi morta com uma facada no pescoço
Entre os quase 20 homicídios registrados neste ano, um deles ocorreu neste mês no Jardim do Lago; vítima foi morta com uma facada no pescoço

Jundiaí assistiu, perplexa, a um ano violento em 2022.  A cada crime, manifestações de revolta tomavam conta das redes sociais, de jundiaienses pedindo segurança. Para se ter uma ideia, a cidade registrou, entre janeiro e novembro (números mais atuais), mais de 4,5 mil furtos diversos, numa onda que atingiu a cidade toda, com invasões a casas, comércios e prédios públicos (como centros esportivos, Unidades Básicas de Saúde-UBSs e escolas) e principalmente de fios, tampas de bueiro e outros produtos. Fora os mais de 500 furtos de veículos registrados na Polícia Civil, pelas vítimas, ou em conduções da Polícia Militar e Guarda Municipal. O ano também foi de vários homicídios, 17 no total. No trânsito morreram mais de 40 pessoas.

Roubos? Foram muitos, mais de mil. Isso sem contar roubo de carros, que ultrapassou 400 casos. ainda sobre roubos, Jundiaí também foi alvo de quadrilhas não apenas da cidade, mas como de forasteiras, que tomaram as rodovias que cortam a cidade em um grande estouro de roubos de caminhões e cargas, este último, com quase 100 casos - número que deverá ser superado quando computadas as ocorrências de dezembro. Grande parte desses casos, inclusive, foram ou estão sendo investigados pelo 5º DP da cidade, que chegou a desbaratar quadrilhas especializadas nesse tipo de crime, assim como, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o fez em relação a roubos de caminhões.

Confira alguns dos casos de maior repercussão deste ano:

ROUBO A CARRO FORTE

Na manhã de quarta-feira, dia 18 de maio, bandidos fortemente armado com fuzis tentaram roubar um carro forte no estacionamento de um supermercado na região do bairro Colônia, em Jundiaí. A ação criminosa ganhou contornos cinematográficos, com tiroteio entre bandidos e agentes da empresa de valores, acidente na avenida dos Imigrantes e um agente baleado. Parte da troca de tiros, inclusive, foi registrada por pessoas que passavam pela avenida

Os ladrões conseguiram fugir. Após isso, suspeitos foram presos e, uma arma possivelmente utilizada no crime, foi apreendida.

ADOLESCENTE ATROPELADO E MORTO

Um adolescente de 13 anos, Leonardo Alves Araujo, morador no Jardim Santa Gertrudes, em Jundiaí, morreu no dia 1º de setembro, no Hospital São Vicente, três dias depois (29 de agosto) de ter sido atropelado no acostamento da rodovia Presidente Tancredo de Almeida Neves (estrada Velha de São Paulo). Na ocasião, ele estava com o pai e dois amigos, e um carro, quando precisaram parar no acostamento para pegar a peça de um fogão que estavam transportando e havia se desprendido. Um homem que vinha na pista perdeu o controle do seu veículo e atropelou as vitimas que procuravam pela peça. Ele fugiu do local, mas foi identificado posteriormente pela Polícia Civil, detido, e liberado para responder ao processo e liberdade - ele está respondendo por homicídio culposo na direção de veículo automotor.

AGRESSÃO EM SALA DE AULA

A família de um menino de 11 anos, estudante do 6º ano em uma escola de Jundiaí, registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de lesões corporais, após o garoto ser violentamente agredido com socos, chutes, joelhadas e pontapés, por dois colegas, dentro da sala de aula. As agressões, que ocorreram no dia 5 de setembro, foram filmadas por alunos. O caso ganhou grande repercussão. O motivo, segundo o estudante, foi porque ele havia chamado uma aluna, da mesma idade, por seu nome de batismo, deixando-a chateada, porque ela queria ser chamada por um nome masculino, alegando ser transgênero. Na ocasião, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) se pronunciou por meio de nota, repudiando atos de agressão e incitação à violência dentro ou fora das escolas.

FILHO QUEBRA O BRAÇO DA MÃE

Um homem de 40 anos foi detido por policiais militares no bairro Jardim do Lago, em Jundiaí, na noite de 7 de setembro, suspeito de quebrar o braço de sua mãe, de 65 anos, com uma cadeirada, e de esfaquear o próprio irmão, de 41 anos. De acordo com as vítimas, ele é usuário de crack e divide sua vida entre morar na rua e em casa com a família, para onde volta apenas para "azucrinar" a vida dos todos. Ele foi preso em flagrante pelo delegado Rodrigo Carvalhaes, em mais um caso que causou comoção geral.

AGRESSÃO A ALUNOS EM ÔNIBUS

Um estudante de 18 anos foi agredido no dia 3 de novembro, quando o ônibus em que estava passou em frente ao 12º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha), em Jundiaí, Efoi atacado por manifestantes pró-governo que acampavam em frente ao quartel. De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem afirmou que ele e alguns amigos (todos estudantes) gritaram palavras contra o presidente Jair Bolsonaro e, logo em seguida, foram agredidos com pedradas. Os manifestantes chegaram a entrar no ônibus. A caso ganhou repercussão nacional e, dias depois, todos os suspeitos das agressões foram identificados e indiciados.

SUSPEITA DE PROSTITUIÇÃO DA FILHA

Uma mulher de 31 anos, moradora em Campo Limpo Paulista, passou a ser investigada neste mês de dezembro, por favorecimento de prostituição ou outra forma de exploração sexual infantil, após ser flagrada por policiais militares dentro de um bar na região central de Jundiaí, no dia 15 de dezembro, em uma mesa com dois homens e sua filha, de 15 anos. Os policiais estavam no local justamente para averiguar denúncia de prostituição infantil. A mãe contou que faz programas sexuais, mas negou estivesse explorando sexualmente a própria filha. O caso está sendo investigado.

BEBÊ ABANDONADO

A Polícia Civil de Jundiaí ainda investiga para identificar e prender o autor/a do abandono de um recém-nascido em uma lixeira na madrugada do último dia 24 de dezembro (véspera de Natal), no Jardim Fepasa, em Jundiaí (SP). O bebê foi encontrado por uma mulher e a Polícia Militar foi acionada - ela já foi ouvida pela Polícia Civil. Na ocasião, a criança foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Universitário (HU), onde ficou em observação. Ela será colocada para adoção.

Comentários

1 Comentários

  • José Carlos 31/12/2022
    Mas a liberação de armas não iria diminuir a violência????