Depois de cerca de 6 horas de paralisação, os manifestantes pró-Bolsonaro, que não aceitaram o resultado das urnas de domingo com a vitória de Lula para assumir a presidência da República a partir de janeiro de 2023, começaram a liberar uma faixa da Anhanguera para os carros e ônibus sentido interior. A rodovia, que liga a Capital ao Interior, estava parada por caminhoneiros e demais manifestantes desde o final da tarde.
Os apoiadores do atual presidente decidiram também que parte deles iria embora e retornaria pela manhã, às 7 horas, enquanto alguns caminhoneiros permaneceriam no local para manter a manifestação.
Pouco antes, o Ministro do TSE, Alexandre de Moraes, havia determinado a imediata liberação das rodovias por parte de policiais rodoviários federais e militares.
Em caso de descumprimento, ele determina multa e até afastamento e prisão em flagrante do diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, por crime de desobediência, além de uma multa de R$ 100 mil por hora a partir da meia-noite desta terça (1º).
O pedido ao Supremo foi feito pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes).
Mais cedo, a CNT afirmou em nota que é contra "esse tipo de intervenção" em rodovias, e que respeita o direito de manifestação de todo cidadão, desde que ele não prejudique o direito de ir e vir das pessoas.
"Além de transtornos econômicos, paralisações geram dificuldades para locomoção de pessoas, inclusive enfermas, além de dificultar o acesso do transporte de produtos de primeira necessidade da população, como alimentos, medicamentos e combustíveis."
Na decisão desta segunda, Moraes afirma que as vias devem ser desobstruídas "com o resguardo da ordem no entorno e, principalmente, à segurança dos pedestres, motoristas, passageiros e dos próprios participantes do movimento".
Também devem ser impedidos, "inclusive nos acostamentos, a ocupação, a obstrução ou a imposição de dificuldade à passagem de veículos em quaisquer trechos das rodovias", com "garantia de total trafegabilidade".
Ao justificar a determinação, o ministro afirma que o quadro atual "revela com nitidez um cenário em que o abuso e desvirtuamento ilícito e criminoso no exercício do direito constitucional de reunião vem acarretando efeito desproporcional e intolerável sobre todo o restante da sociedade".
Moraes cita, então, a dificuldade de funcionamento das cadeias de distribuição de produtos e serviços devido aos bloqueios, "para a manutenção dos aspectos mais essenciais e básicos da vida social".