A campanha Setembro Verde conscientiza sobre a inclusão das pessoas com deficiência (PCDs) em todas as esferas, inclusive no mercado de trabalho. Em Jundiaí, além de diversas empresas promoverem a inclusão, já que a lei para a contratação de PCDs é obrigatória em empresas com mais de 100 funcionários, as instituições que promovem o atendimento terapêutico também oferecem suporte para conectar este público às empresas.
Coordenadora de assistência social da Apae Jundiaí, Adriana Lourenço de Almeida Azevedo diz que há análises de perfis para as vagas através do Programa Emprego Apoiado. "Temos um histórico de empresas que contratam apenas para cumprir a cota, então a pessoa chega sem se adaptar à vaga. Às vezes, os colegas não sabem lidar, faltam adaptações no ambiente. Por isso há tanta rotatividade nessas vagas."
Adriana conta que há avanços das empresas em relação a essas contratações e hoje dão mais importância à inclusão. "Todo mundo quer e precisa trabalhar para geração de renda. Os que não têm potencial para uma compreensão cognitiva maior também conseguem desenvolver uma tarefa mais simples. Isso faz com que tenham rotina, autonomia de trajeto, e ainda gerem renda para a família."
ESPERA
Richard Marcon Lourenço, de 31 anos, tem deficiência cognitiva, é assistido pela Apae e conseguiu o primeiro emprego. "Estou trabalhando há cinco meses em uma loja de utensílios domésticos. É o meu primeiro emprego. Queria muito trabalhar. Não reclamo de acordar cedo e é muito bom ter o meu dinheiro. Esperei muito para falar que estou trabalhando."
Mãe de Richard, Cristiane Aparecida Marcon Lourenço diz que ele mesmo viu a vaga e quis se candidatar. "Ele fazia parte do Emprego Apoiado, da Apae, e, como a gente mora perto, passamos na frente da loja e ele viu a placa. Aí fomos levar o currículo. A vaga não foi pela Apae, mas o currículo que usamos foi a Apae que forneceu."
No início houve preocupação da mãe, mas logo Richard se adaptou. "A gente se preocupa porque acompanho ele em tudo e ter que soltá-lo sozinho é difícil, mas foi tranquilo. Acolheram bem ele na loja e me deixaram tranquila, foi bem legal."
Gerente da loja onde Richard trabalha, Vanessa Cavalcante conta que a vaga era recente na unidade. "Na rede tem o programa de contratação de PCDs, mas era só em uma das lojas, em outra cidade. Depois conseguimos contratar aqui também, nesta loja. O bom foi ver o desenvolvimento. Ele mudou muito, tinha dificuldade de coordenação motora no início, não conseguia pegar algumas coisas, e agora não tem mais", lembra.
ADAPTAÇÃO
Luciamara Flávia Sousa diz que a filha Liliane Alves, de 26 anos, conseguiu uma vaga através do Emprego Apoiado. "É o primeiro emprego dela. A última vez que fui com ela à Apae, falaram que era bom ela trabalhar, conhecer outras pessoas, e eu gostei da ideia. É uma menina esperta, consegue fazer várias coisas, mas é um pouco esquecida, às vezes ela começa algo e não termina."
Liliane trabalha em um supermercado e Lucimara conta que ainda há preocupação pela independência. "Acho que falta só um pouco de adaptação da empresa e compreensão das pessoas. Ela trabalha oito horas por dia, seis dias por semana. Acho um pouco puxado para quem tem deficiência. Mas ela não reclama, acorda cedo, pega o ônibus. Ela sempre falava que queria ter uma renda, até pela idade. Ela também tem um filho de 5 anos, mas a guarda legal é minha. E eu sou viúva e minha pensão está atrasada por causa da pandemia."
VAGAS
Auxiliar de logística, Rodrigo Teixeira, de 27 anos, tem deficiência auditiva e não tem dificuldade para conseguir emprego. Já trabalhou em outras empresas e está há um ano e meio no emprego atual. "Consegui este emprego por conta, mas a outra empresa em que eu trabalhava foi indicação da Ateal (Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem). Acho que quem tem deficiência e deseja trabalhar consegue emprego, as cotas das empresas ajudam."
Já Cátia Regina Toloza, de 40 anos, que também tem deficiência auditiva, tem tido dificuldade para conseguir uma vaga. "Já trabalhei em muitos lugares, desde que tinha 16 anos. Hoje estou em busca de emprego, queria trabalhar, mas está demorando para alguma empresa me chamar. Acho que devia haver mais oportunidades."